O cérebro dos políticos

O SCIAM publicou a informação de um estudo no mínimo controvertido: "Somos predispostos para crenças políticas?". Pesquisaram 43 indivíduos. Inicialmente cada um se auto-classificava em uma escala de "extremely liberal" a "very conservative". Após isso, realizou-se um teste para averiguar como cada indivíduo adaptava respostas treinadas a novos estímulos.

Para medir o grau do conflito diante dos novos estímulos, lá estava o bom e velho cérebro, mais especificamente o cíngulo anterior cortical (anterior cingulate cortex ou ACC). Indivíduos auto-denominados "liberais" desempenharam maior sensibilidade para mudança do que os colegas "conservadores":

"People who have more sensitive activity in that area [ACC]”, he notes, "are more responsive to these cues that say they need to adapt their behavior," reacting more quickly and accurately to the unexpected stimulus. On average, people who described themselves as politically liberal had about 2.5 times the activity in their ACCs and were more sensitive to the "No-Go cue” than their conservative friends.

"They are more sensitive to the need for change and more sensitive to the need to change their behavior," Amodio says about the politically left-leaning subjects.

Isso abre uma série de questões: que área cortical ou escala numérica poderia representar as opções políticas correspondentes ao Hamas e ao Fatah? E quanto ao Likud, ao Kadima, e ao Partido Trabalhista israelenses? O que dizer do Partido Comunista Francês? E os sociais democratas, onde ficariam nisso tudo? Comunistas chineses teriam resultados semelhantes aos cubanos? E mais: como caracterizar partidários de regimes ditatoriais financiados por democracias?

Esperemos os resultados mais surpreendentes: como seria o resultado ao comparar um Khoisan africano com um coroné brasileiro? Ou pensemos ainda, em um futuro próximo, nos estudos aplicados 😉

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4 comentários sobre “O cérebro dos políticos

  1. Hehehehe.
    Muito divertido este estudo. Mas esses cientistas sempre explicam da maneira mais complicada. No estudo, não seria preciso medir a atividade do cérebro para ver o resultado prático nas atividades propostas.
    De qualquer modo, os dados são muito interessantes, e levantam as questões que você colocou. Mas, se os liberais são tão adaptáveis, por que eles sempre ficam na fila?

  2. A biologia atropela as ciências humanas, em particular as ciências sociais. Estas, por sua vez, desprezam a biologia. Falta diálogo. A ciência social devia encarar o perigo: a indiferença das ciências sociais estimula a biologia a entrar em determinadas searas que são, em tese, da sociologia, da antropologia, da ciência política… Esse estudo é redutor, pois despreza inúmeros fatores que não são biológicos e que são, convenhamos, bem mais facilmente explicáveis pelas ciências sociais. O conservadorismo não é mais refratário a mudanças — talvez, fosse o cérebro dos conservadores do século XIX; os liberais ou a esquerda são também tradicionais — a explicação passa muito mais pelo contexto histórico, ideológico, político, pelo exame dos esquemas cognitivos em jogo, etc e tal. Já tínhamos a sociobiologia, agora temos a ciência política neurológica. É de lascar.

    RE: Isso que se torna engraçado, né? Legitimar academicamente certos abusos, que mostram até mesmo aspectos não esclarecidos na própria academia!

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