90 anos da Revolução Russa

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Cheguei atrasado, sem net nos últimos dias. Mas o Idelber escreveu um belo post sobre a Revolução, e consequências.

Talvez não tenha procurado bem, mas foi frustrante não ver um especial sobre a Revolução na Biblioteca Nacional da Rússia (de todo modo, um link que deve ser guardado com carinho). O mais próximo foram informes de época, uma coleção de gravuras confeccionada por artistas pós-revolução, e algumas informações dispersas.

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de F.A. Modorov

Já o Archive.org contém bastante material. Desde a história contada por Trotsky, até edições de intérpretes contrários à revolução constam por lá. Em vídeo, apresenta uma rara gravação do Czar Nicolau II, ou outro vídeo "educativo" feito durante a Guerra Fria (1952) sobre "comunismo". Ainda, outro vídeo de 1961 do exército norte-americano busca "confrontar" as idéias dos dois regimes.

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A Livraria do Congresso norte-americano também tem bastante material, direto e indireto. A começar por outro vídeo relacionado ao Czar Nicolau, e uma curiosa exposição sobre o legado arquitetônico anterior à Revolução. Em fonte documental, contém algumas "Revelações dos arquivos russos", sobre documentos tornados públicos apenas recentemente; uma página dedicada ao estudo da história da Rússia; e outros vários arquivos que podem ser interessantes.

Via Livraria do Congresso, vários outros links: da Universidade Estadual de Moscou, uma lista de  recursos, e transcrições de documentos históricos, como constituições russas; o "Memorial" busca "elucidar" o público sobre as milhões de vítimas do regime soviético (diga-se, por sinal, que ocasionar vítimas não é exclusividade soviética); o h-net contém também vários recursos, especialmente um conjunto de links, que se desdobra em vários outros preciosos (para mencionar apenas esses).  

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capa da primeira Constituição Soviética, de 1918

Curioso notar a barreira linguística. Do "lado de cá" as análises sempre se situam no julgamento exterior, ou na tentativa de evitar preconceitos para julgar o que ocorreu na Rússia. Temos também uma fortuna teórica e artística bem ampla vinda de lá. Figuras como Vygotsky e Eisenstein são bem conhecidas por aqui.

Ainda, como o Idelber chamou a atenção, sempre permanece a questão das "verdadeiras" implicações da Revolução: estaria contida originariamente nela um gérmen dos Gulags, como querem alguns críticos? Ou figuraria em Stalin (ou um pouco antes) a deturpação do regime, como querem outros entusiastas?

Outra questão reside nos opositores equivalerem o socialismo real com o ideal, enquanto os marxistas garantem que o movimento foi subvertido em nome de uma espécie de estatismo que engessou a verdadeira Revolução.  

Um post anterior, sobre El Che, mencionava um texto intitulado "O Socialismo e o Homem em Cuba". Em determinado momento, Che comentava a respeito da relação revolucionário x povo. O revolucionário era uma espécie de intelectual, e o intelectual servia como "vanguarda" do movimento revolucionário. Essa crença se apóia em uma outra bem comum do século XX (e que a direita não se afasta), a da relação direta entre a tomada de consciência e a ação. Ora, o papel do intelectual, tanto de direita, quanto de esquerda, serviria como uma espécie de excesso de consciência, que teria papel estratético ao auxiliar as mudanças sociais, em sentido revolucionário ou funcionalista. 

Alguns pensadores do fim do século buscaram mostrar como esse tipo de modelo é caduco, tanto para pensar transformações sociais, quanto o aprimoramento "funcional" desta sociedade. Comprometem-se nisso tanto aqueles que buscam uma mudança radical da sociedade (grosso modo, certo pensamento de "esquerda"), quanto os que apenas acreditam que aperfeiçoamentos estruturais dariam conta do recado (
alguns pensamentos de "direita"). Do lado ativista, um conjunto de críticas começou com um certo ‘freudo-marxismo’, que avançou no que muitos chamam de filósofos ‘pós-estruturalistas’. Um exemplo, dentre vários, é o Marx além de Marx, de Antonio Negri. O desafio desses pensadores é o de propor ainda mudanças sociais, sem perpassar antigas dualidades ortodoxas (proletário/burguês, consciência/determinação, etc.).  

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3 comentários sobre “90 anos da Revolução Russa

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