Nem hagiografias, nem demonizações

Após a declaração de Diogo Schelp sobre Jon Lee Anderson não mais aparecer na Veja (links), olha ele, ironicamente mostrado, no Radar da última edição ("O destemido Anderson: ele escreve e assina embaixo"):

 img403/5210/radar3ao0.jpg

 No título, "O assassino e fedido Che, segundo Jon Lee Anderson". E Reinaldo Azevedo complementa:

O quadro acima está publicado na VEJA desta semana. A revista exalta a coragem de Jon Lee Anderson por ter escrito a verdade sobre Che Guevara, inclusive o cheiro que exalava o Porco Fedorento. Seus métodos tolerantes e humanistas também estão retratados no livro. Nada que um leitor de Régis Debray já não soubesse. Dá para entender por que Anderson se perdeu na retórica de alguém com a vaidade ferida, mas não contestou uma só informação da revista.

O que faz voltarmos um passo, à resposta anterior de Lee Anderson ao editor Diogo Schelp:

Para preencher seu texto, você pinçou uma certa quantidade de referências previamente escritas sobre ele – incluindo a minha – para sustentar sua tese particular, qual seja, a de que o heroismo de Che não passa de uma construção marxista, como sugere seu título: ‘Che, a farsa do herói’. Para chegar a uma conclusão assim arrasa-quarteirão (…)

Minha questão não é política. Escrevi um livro, como você mesmo disse, que é ‘a mais completa biografia’ de Che. Há muito lá que pode ser utilizado para criticar Che, mas também há muitos aspectos a respeito de sua vida e personalidade que muitos consideram admiráveis. Em outras palavras, é um retrato por inteiro. Como sempre disse, escrevi a biografia para servir de antídoto aos inúmeros exercícios de propaganda que soterraram o verdadeiro Che numa pilha de hagiografias e demonizaçoes, caso de seu texto.

A operação é curiosa: diante das discussões sobre "lista negra" do jornalismo, e o ainda morno affair, lá está o Lee Anderson. Mas um Anderson peneirado, anti-Che. Contra as hagiografias, demonizações.

Deve haver uma escola de jornalismo que explique tal… operação.

Anúncios

5 comentários sobre “Nem hagiografias, nem demonizações

  1. Certamente foi só para “provar” que a Veja não faz lista negra e dizer que o Schelp disse aquilo só no afã. E claro, fugir dos temas principais do debate – ele não contestou nenhum fato mas reclamou do uniteralismo da matéria, da falta do equilíbrio entre os dois lados o que, claro, eles não vão responder…

  2. Mas, espera.

    Por qual bendito motivo eles iriam republicar uma matéria que realmente, foi arrasa-quarteirão, para reavaliar uma situação que estava como perdida? É, a Paula disse.

  3. Catatau,

    A revista está completamente perdida… depois desta história da lista, esta é uma tentativa de desmentir o assunto de forma indireta, mas para não ceder em seus argumentos, plantou de novo a mesma semente: jornalismo da pior qualidade.

    Abraços!

  4. Esse quadro é uma coisas mais absurdas que eu já vi.
    É “jornalismo suicida”, uma nova categoria.
    Esperemos os comentários na próxima edição!
    Abraço.

    RE: Com certeza tem um conteúdo agressivo, e deliberado. Mas seria isso auto-dirigido?

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s