O “Segredo securíssimo para não mais morrer”

O último post do BibliOdyssey traz gravuras do fim do século XVII, e uma fonte de dados tão valiosa que, segundo o Mr. PK, equivale à Livraria do Congresso norte-americano. Vale muito a pena conferir 😉
 
No informe, ele destaca algumas gravuras retiradas desse recurso. Dentre as várias, duas são muito interessantes (tomo a liberdade de reproduzir e trair, quer dizer, traduzir):   
 
 Secreto sicurissimo per non mai morire
No título: "Segredo securíssimo para não mais morrer". Abaixo, a receita: "Quando a morte vier buscá-lo, você deve repentinamente soprar em sua face; mas deve fazer sem parar, pois se parar, você morre"
 
Na outra gravura,
Machina del Mondo, ogn'un cerca di star sopra il compagno A "Máquina do Mundo" apresenta uma pirâmide social, dos maltrapilhos ao rei. Por sobre todos, a Morte declara: "E eu, tudo equilibro".  
 
O tema dessa gravura parece ser bem afim a um antigo post (também referido ao BibliOdyssey), sobre ritos do Renascimento intitulados "Dança da Morte". Lá, por meio de expressões estéticas e rituais festivos, as hierarquias e valores mundanos eram desfeitos e tornados irrisórios, em nome de implicações exteriores aos caprichos do homem. Tratava-se de uma verdadeira invasão da alteridade no seio do convencional, do familiar.
 
O livro de Sebastian Brant, Stultifera Navis, parece corresponder a esse tipo de relação. Os loucos embarcados para um lugar mítico representavam cada tipo mundano, e uma espécie de ironia que zombava de seu caráter irrisório. O que parece interessante, nisso tudo, diz respeito a como essas duas gravuras são bem mais recentes que o Totentanz, ou a Nave de Brant.
 
As duas são de  Giuseppe Maria Mitelli, pintor italiano. O próprio PK fez o trabalho de referenciar outros posts a respeito desse pintor, direcionados ao agora extinto Giornale Nuovo.
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Um comentário sobre “O “Segredo securíssimo para não mais morrer”

  1. Opa, um post imprescindível! Pois é como diz o outro:

    “O melhor é não ter importância e estar vivo” Carlos Drummond de Andrade, Tempo, Vida, poesia – confissões no rádio. 1986.

    rs

    beijos

    RE: Ô Marcela! Como diz o velho Marenco, “da morte ninguém atalha”! Imagine só, viver sem uma receita infalível dessas! ;))
    bjs,

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