O papel social das bicicletas

O texto é de Aziz Nacib Ab`Sáber

O uso habitual e generalizado da bicicleta em uma cidade qualquer depende de alguns fatos essenciais. Num lugar prioritário entra a questão das características morfológicas do sítio urbano, onde a cidade estabeleceu sua estrutura de ruas, praças e tentáculos.

Cidades nascidas e crescidas em rasas planícies de restingas propiciam o uso mais amplo de bicicletas, engendrando um papel social que raramente tem sido registrado. Por sua vez, cidades implantadas em regiões acidentadas, desenvolvidas espacialmente em encostas de morros, morrotes e colinas, têm grandes limitações para o uso mais amplo de bicicletas. É o caso dos organismos urbanos estendidos por colunas onduladas possuidoras de rampas e ladeiras como alguns dos pontos tradicionais, que perderam a chance da utilização mais intensa dos biciclos. Ainda que pudessem ter ciclovias de uso parcial, limitadas a setores mais planos de seu sítio urbano, como planície e terraços fl uviais. No caso, torna-se inoperante a pressão de pessoas simplórias e da mídia na defesa de um sistema urbano de ciclovias. Tendo-se de considerar sempre para as grandes cidades o problema da intensidade do emaranhado de veículos de toda sorte. Não é preciso dizer que estamos pensando no caso da Grande São Paulo. Nessa conjuntura, o uso da bicicleta em redes mais amplas é praticamente impossível. [continua]

Aziz inicia associando o uso da bicicleta a partir do perfil de cada região geográfica. Depois expõe sobre as regiões costeiras, que por serem planas, ofereceriam melhores condições para o uso. Finalmente, cita o exemplo de Ubatuba, algo como uma situação interessante sobre o uso generalizado e social do veículo.

Achei o texto um pouco estranho. Aziz não associa o uso da bicicleta a projetos de urbanização, por exemplo. Ele cita positivamente o exemplo de algumas cidades costeiras que não oferecem condição favorável alguma aos ciclistas, exceto a planície. Ora, algo que seria perfeito, mas falta a um grande número de cidades costeiras, são ciclovias, ou mesmo alargamentos da pista para o uso das bicicletas. Geralmente elas transitam na mesma via que os carros. Especialmente em períodos de temporada, fazer isso é perigoso.

Projetos de urbanização independem de condições geográficas. Obviamente, criar ciclovias em uma região repleta de ladeirões não denota uma decisão muito sábia. Mas salta aos olhos como não se pensa em urbanização diretamente relacionada às bicicletas, especialmente em regiões em que poucas pessoas possuem carros.

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7 comentários sobre “O papel social das bicicletas

  1. Bom, o argumento do autor tem sua lógica. Joinville é uma cidade bastante plana e muita gente (mesmo) usa a bicicleta, embora exista apenas uma ciclofaixa e nenhuma ciclovia (pelo menos que eu tenha visto). Já Videira (SC) é a cidade mais acidentada que conheço. É praticamente só subidas e descidas. Vê-se poucas bicicletas, mas ainda assim elas existem.

    Talvez criar rotas exclusivas para as bicicletas não criem demanda. Dá para ver isto explicitamente aqui em Curitiba com algumas ciclovias que ligam o nada ao lugar nenhum e são pouquíssimo usadas (mesmo sendo totalmente planas e agradáveis).

    Agora, o que está claro é que maior do que as barreiras geográficas e urbanísticas é justamente a barreira cultural. Enquanto bicicleta for sinônimo de brinquedo e veículo de pobre dificilmente a classe média vai deixar o carro na garagem.

  2. Paula,

    Fiquei curioso sobre como funciona o GlobalVoices. Você tem que tipo de vínculo por lá?

    Adriano,

    Esse é um texto que provavelmente parece com “A ideologia social do carro a motor”, informe e texto de Andre Gorz (publicado anteriormente). Qdo chegar em casa encontro o link

    abração,

  3. Vi esse texto hoje em outro local, agora o encontro aqui. Achei de um baita preconceito.

    torna-se inoperante a pressão de pessoas simplórias e da mídia na defesa de um sistema urbano de ciclovias. Tendo-se de considerar sempre para as grandes cidades o problema da intensidade do emaranhado de veículos de toda sorte.

    Quer dizer que para ele bicicleta é para pobres ou limitados, “simplórios”. Para ele, bicicletas são somente para cidades pequenas e planas. Para ele, bicicleta não é para o trabalho, é para os jovens circularem na cidade paquerando.
    Creio que ele não tem o direito de assinar a rendição em nome dos ativistas de São Paulo e de Belo Horizonte ou de qualquer cidade grande.

  4. Como sou simplório, apesar desse texto vou continuar indo trabalhar de bicicleta e achando que Curitiba merece melhores condições para o seu uso. As ladeiras, que ultrapasso todos os dias, e o emaranhado do trânsito, que se cuidem. A idade já me permite ignorar certas recomendações sem nenhum sentido. O prazer de pedalar e desfrutar da vida não se esvairá nos passeios dominicais com Pepe (80), Romualdo (70), Renato, Jansen, e muitos outros.

    RE: Opa Luis, estou contigo e não abro! Conforme tua observação, também achei estranho o texto do Aziz: ele pressupõe a bike apenas como lazer, e não pensa em uma urbanização mais completa, não apenas exclusiva para os carros.
    Aliás, também uso quase sempre a bike. Só não a uso quando o próprio local que visito não oferece condições mínimas de segurança para deixá-la amarrada. Senão…
    um abraço,

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