A Iurd e os jornais II

Lembram dos processos da Igreja Universal contra a Folha, e o sarrinho do Economist sobre a instituição de Edir Macedo?

As ações orquestradas pelos fiéis – lembremos que os textos dos processos são incrivelmente parecidos, embora elaborados em municípios distantes – começam a ser negadas pelos juízes. A Folha de São Paulo comemora: das 68 ações até agora, já venceram 12.
 

A reportagem [de Elvira Lobato] afirma que "uma hipótese é que os dízimos dos fiéis sejam esquentados em paraísos fiscais.
Segundo o advogado Jamil Milagres Mansur, essa colocação foi infeliz e irresponsável, pois se os dízimos precisam ser "esquentados", eles seriam de origem criminosa.
"Isso dá aos fiéis total legitimidade para acionar judicialmente a empresa jornalística por possíveis danos sofridos", acrescentou.  
Um juiz do Mato Grosso do Sul, que recebeu uma das ações, extinguiu o processo alegando falta de legitimidade. Mas isso não é uma regra, de acordo com o advogado Leandro Guimarães, representante do autor de uma das ações em MG. No estado, três audiências foram marcadas para ouvir testemunhas. No PA, outra audiência ocorre ainda este mês. Esses e outros processos continuam em andamento.
De acordo com a estudante de Direito, Kelly Oliveira, membro da IURD há oito anos, a reportagem deixa implícita que os fiéis são ignorantes sobre tudo o que ocorre dentro da Igreja.
"Isso não é verdade. Podemos ver materializado o que ofertamos no altar, na construção das catedrais, na manutenção dos templos e nas obras sociais, por exemplo", destacou. 
Ou ainda, chamando a atenção à falta de Elvira em audiências,
A repórter está sendo processada por quase 50 membros, que se sentiram ofendidos por uma reportagem publicada no dia 15 de dezembro. Todos alegam serem “vítimas de discriminação religiosa em razão de conteúdo tendencioso da matéria difundida pelos réus”. As ações foram propostas em Juizados Cíveis Especiais.
Durante a semana passada, no MS e no AC as decisões dos juízes confluíram, pelo menos em dois elementos: primeiramente, os denunciantes confundem o teor público da reportagem com o dano pessoal; em segundo lugar, a ação incorre em litigância de má fé, como enunciou uma das decisões:
"A postura adotada pelo autor […] demonstra a existência de inquestionável má-fé, pois deturpa o conteúdo da reportagem para, inserindo-se individualmente nela, buscar indevidamente o recebimento de valor indenizatório"
Sábado, a Folha anunciou que em MG e SC mais duas decisões foram favoráveis ao jornal. O juiz de MG enunciou parecer semelhante:
"é parte ativa ilegítima para buscar eventual reparação por danos morais, ao simples argumento de que seu nome não foi citado na reportagem produzida pela Folha de S.Paulo através da jornalista Elvira Lobato"
E no dia 28, a sentença de outra juíza, no RJ:
“Parece-me estranho que num município onde o jornal Folha de S.Paulo não circula, os munícipes tenham adquirido o jornal e estejam abordando o requerente a fim de ofendê-lo”
Isso leva a algumas considerações. Em primeiro lugar, é notável o "argumento" da IURD: (1) a passagem "uma hipótese é que os dízimos dos fiéis sejam esquentados em paraísos fiscais" incorre em dano moral privado, e (2) essa ofensa pessoal seria “discriminação religiosa em razão de conteúdo tendencioso da matéria difundida pelos réus”, como constaria em "todos" os processos dos fiéis.
 
Quanto ao primeiro ítem, notemos que nada atesta a passagem da reportagem de Lobato ao teor de "ofensa pessoal" dos fiéis. Assinalam isso todos os juízes. Em segundo lugar, nenhum leitor no mundo, digno de se chamar "leitor", acionaria a justiça sem avaliar o tipo de implicação que sugere a pequena passagem do artigo. O teor da reportagem é institucional; nada diz respeito aos fiéis.
 
Melhor ainda: é um chamariz para que os fiéis se perguntem a respeito de tantas denúncias e práticas não esclarecidas de sua Igreja. Algo bem próximo de jornalismo, e absolutamente distante de "discriminação religiosa". E sobre isso, Elvira Lobato publicou há pouco um livro, repleto de denúncias contra a IURD. O que teria feito tantos denunciantes, com textos tão semelhantes, atentarem a uma pequena passagem de artigo, e não a conteúdos de livro inteiro?
 
*** 
 
Mas suponhamos que os argumentos da IURD sejam corretos. Um católico hipotético poderia experimentar abrir todas as edições da Folha Universal. Veria ali que:
 
Na edição 826, por exemplo, consta um artigo do Bispo Macedo associando uma certa "teologia da pobreza" ao diabo, e nas entrelinhas (mas nem tanto) à Igreja Católica. Outro texto pauta os gastos indenizatórios dos católicos dos EUA em casos de pedofilia.
 
Na edição 827, o ministro da saúde "comanda uma cruzada contra a hipocrisia" dos catól
icos, contrários ao aborto, à camisinha e às pesquisas com células-tronco (o texto repete ponto a ponto o tom da coluna passada, de Macedo; reforça-se o tom em outro curto informe).
 
Na 828, novamente as "posições rígidas católicas" contra o aborto; Na edição 829, destaque sobre o fechamento de igrejas e diminuição do número de católicos; finalmente, na edição 830 destacam-se uma entrevista de protesto "contra a posição da Igreja Católica na questão das células-tronco", e nota sobre outro padre preso por pedofilia.
 
O que atesta o trivial: enquanto outras religiões têm cobertura episódica na Folha Universal, existe um interesse permanente e sistemático de atacar direta ou indiretamente o catolicismo. O enquadre jornalístico, quando não é um ataque direto, concentra-se em outros ataques ou em pontos negativos da Igreja Romana. O tema é padrão editorial da Folha Universal.
 
O que poderia levar nosso católico hipotético, que concorda com o argumento da IURD, a perguntar: não haveria “discriminação religiosa em razão de conteúdo tendencioso da matéria difundida pelos réus”?
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2 comentários sobre “A Iurd e os jornais II

  1. A IURD SEMPRE SE INTERESSOU MAIS PELO DINHEIRO QUE PELOS FIEIS. HÁ DEZENA DE ANOS O BISPO RENATO MADURO VIVIA NUMA MANSÃO EM STATE ISLAND (ESTADOS UNIDOS). EM VEZ DE FECHAREM OS OLHOS, NOTEN NA APARENCIA DOS LOBOS DISFARÇADOS DE CARNEIROS. ATÉ JÁ SE USA MULTIBANCO NA IURD.
    É A LEI DO VALE TUDO. ACABEI DE LER O LIVRO DO BISPO MACEDO, E FIQUEI ADMIRADO PELO TAMANHO DA SUA FÉ AO CONTRACTAR UNS ADVOGADOS POR SOMAS EXORBITANTES (CERCA DE MEIO MILÃO DE DOLARES) ISTO A DEZENAS DE ANOS.
    MINHA PERGUNTA É A SEGUINTE: SR BISPO, ONDE ESTAVA A SUA FÉ???? OU SE SEQUER TEM ALGUMA??
    CHEGA TAMBEM DE FAZEREM AMEAÇAS AOS NÃO IURDENSES!
    SÓ É PARVO QUEM QUER.
    ESTE ANO VAI SER UM REENCONTRO DE AMIGOS NO DIAP. COMO NUNCA FORAM HOMENS PARA RESPONDER AOS MEUS TELEFONEMAS E EMAILS, NOS ENCONTRAREMOS BREVEMENTE EM TRIBUNAL.
    SERÁ UM PRAZER .
    ASSIM SE JUNTARÃO A MAÇONARIA E A IGREJA UNIVERSAL DO REINO DE DEUS.
    QUE VENÇA O MELHOR E O MAIS HONESTO.

    A.`.M.`.R.`.E.`.A.`.E

    MAÇON

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