A Iurd e os jornais III

Nova reportagem da Folha Universal sobre os processos contra a Folha de São Paulo:

Além das ações que se multiplicam na Justiça contra o jornal “Folha de S. Paulo”, os membros da Igreja Universal do Reino de Deus e evangélicos de outras igrejas encontraram outra forma de protestar e expressar sua indignação contra as reportagens do jornal. Em um movimento que começou espontaneamente no último final de semana, integrantes da IURD têm cancelado suas assinaturas do provedor “UOL” (Universo On Line), braço da internet do grupo que compõe a “Folha de S. Paulo”. O “UOL” abriga em suas páginas virtuais o conteúdo da “Folha de S. Paulo”.

Não são poucos os evangélicos que têm telefonado para o “UOL” e interrompido o serviço. E todos têm esclarecido que deixam de utilizar o provedor em razão do que eles consideram “ataques da ‘Folha de S. Paulo’ à Igreja”, reproduzidos pelo portal. A “Folha de S. Paulo”, entre outras afirmações não comprovadas, publicou que o dinheiro do dízimo seria “esquentado em paraísos fiscais”. A “hipótese”, definição utilizada pelo próprio jornal, ofendeu membros da IURD que entraram com ações na Justiça. [Em protesto, Evangélicos cancelam UOL]

Como é bem visível, existe um equívoco nesse tipo de discussão. Novamente, alguns fatores:

1) Os fiéis confundem a denúncia de âmbito institucional com discriminação doutrinária, religiosa. Ainda, o teor público da reportagem com a ofensa privada. Isso é o que os juízes estão pronunciando: não há como interpretar a passagem sobre "o dinheiro do dízimo ser ‘esquentado em paraísos fiscais’” sob o critério de dano privado. Em nada afeta os fiéis, mas o fim (institucional) a que é dado às contribuições. A diferença é crucial. Absolutamente, não existe perseguição religiosa.

É mais ou menos como ocorre nas reportagens da Folha Universal, quando mostram os casos de pedofilia na Igreja Católica: denunciar irregularidades numa instituição não necessariamente afeta o funcionamento da instituição inteira. 

Muito embora casos de pedofilia são escolhas individuais, enquanto operações financeiras ilegais são escolhas bem institucionais – atos tão graves quanto diferentes.

2) Em segundo lugar, se eu fosse um crente da IURD, começaria a me perguntar sobre algumas estranhezas, além das já expressas.
 
Ora, para um teólogo seria simples, por exemplo, mostrar como certos ataques da IURD à Igreja Católica são de ordem doutrinária, e não institucional.
 
Quanto a isso, não há problema algum, e teologia serve para debates doutrinários. Mas existe uma diferença crucial, como vemos em um dos últimos editoriais do próprio criador da religião, o Bispo Edir Macedo: quando ele contrapõe a "teologia da prosperidade" (da IURD) à "teologia da pobreza" (da ICAR), expõe uma pequena passagem do Evangelho, supondo que a teologia da pobreza fosse coisa do "diabo", e que logo a Igreja Católica seja coisa do diabo. E da doutrina, ele passa à pastoragem:
E não seria a teologia da miséria uma doutrina satânica contrária à teologia da prosperidade?
Nosso Senhor pregava a doutrina da vida com abundância. Portanto, quem é do lado de Deus prega a doutrina da prosperidade e quem é do lado do ladrão aceita e prega a doutrina da miséria.
Em outras palavras, o que poderia ser um debate teológico (o significado de uma "doutrina da prosperidade"; o quanto os católicos já aceitariam ou não essa doutrina; o tipo de leitura feita por Macedo, e questões afins) acaba se tornando um ataque que, de teológico, não tem nada. A linguagem é clara: a Igreja Católica foi e é responsável pelas mazelas da sociedade brasileira, por pregar coisas como a camisinha e o casamento, e que seus fiéis sejam pobres; por isso, trata-se de uma escolha pessoal compactuar dessa "doutrina satânica", ou escolher pela prosperidade, divina e iurdiana.
 
E não é que o ataque soa de um modo parecidíssimo com o tom que os fiéis da universal enxergam e reprovam nos jornais?
Ora, esse espírito ganancioso e opressor continua presente em nossa república. Haja vista os interesses na promoção da miséria e dor visto através de sua imposição contrária à camisinha, ao controle da natalidade, ao aborto etc…

E qual é o porquê dessa contrariedade? Porque quanto mais aidéticos houver, mais lucros terão suas “Santas” Casas de misericórdias e outros hospitais da ordem. Quanto maior o número de miseráveis, mais dinheiro para extorquir dos governos em nome de campanhas da fraternidade. 

Em tempo: A Iurd e os Jornais, I e II 
Anúncios

Um comentário sobre “A Iurd e os jornais III

  1. Me assustei com outro trecho do editoria do Edir Macedo:

    “Quanto maior o número de miseráveis, mais dinheiro para extorquir dos governos em nome de campanhas da fraternidade.”

    Eu fico pensando o que faz um fiel da IURD depois que é “abençoado” e sua vida prospera e compra carro importado e tem a maleta cheia de dólares como mostra uma propaganda da igreja nos intervalos do programa “Mistérios”. Porque todas as pregações são para alcançar a prosperidade (ou para expulsar os encostos). E depois? Vira pastor?

    A promessa é de prosperidade, mas a IURD é uma igreja de miseráveis. De pobres miseráveis.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s