Ashley Alexandra Dupré e a curiosa economia dos escândalos políticos

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Do Ryff:

O governador de Nova York, Eliot Spitzer, foi obrigado a renunciar por ter sido flagrado, numa investigação do FBI, desfrutando dos serviços de uma prostituta. Pagou US$ 4.300 para uma profissional do Emperor’s Club VIP apelidada de Kristen. Na vida real, a moça se chama Ashley Youmans e, como aspirante a cantora de rhythm & blues, responde como Ashley Alexandra Dupré.

Em pronunciamento público, chamou a atenção da imprensa (ou pelo menos daquele jornal que fala 10 min. sobre como tratar seus filhos, e "O Mundo em um minuto") a postura da esposa de Spitzer: visivelmente humilhada, permanecia calada enquanto ele contava publicamente sobre suas aventuras.

Atitude imediatamente ligada ao escândalo Monica Lewinsky, e à resignação de Hillary Clinton.

Esse tipo de caso parece manifestar uma espécie de "sensibilidade" bem curiosa diante de escândalos políticos. "Sensibilidade" que, dependendo do tipo do caso, tende a ser mais "escandalizada".

Na época de Bill Clinton, falou-se até de impeachment, diante dos discursos sobre charutos e secretárias. No caso de Spitzer, o envolvimento com prostituição rendeu a renúncia. Mas outros fatos não tiveram comoção popular tão grande, ou pelo menos não obteram resultados tão efetivos. O exemplo mais notável dos últimos tempos é a mentira do governo norte-americano para legitimar a invasão do Iraque: tudo valeu na época como argumento, dos dados falsos sobre armas químicas, à noção vaga de que Saddam Hussein representava uma ameaça.

Ocorrem protestos até hoje, mas é visivelmente diferente o tipo de "gravidade". Como se escândalos passionais, envolvendo a figura do presidente, às vezes fossem muito mais sérios que medidas "impessoais", afetando a vida de milhares de pessoas.

*** 

Por aqui, mais ou menos como a velha diferença entre o ladrão de galinhas, e o corrupto: crimes econômicos e administrativos recebem castigo e asco muito mais brando do que os do pé de chinelo com a boca na botija. Um engomado gera milhares de encardidos; mas enfim, talvez alguém considere que pelo menos o engomado não cheira tão ruim.

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Um comentário sobre “Ashley Alexandra Dupré e a curiosa economia dos escândalos políticos

  1. Catatau,

    Além de belíssima a moça gosta de blues? Este senhor tem é muita sorte 😀

    Agora falando sério, o fato de um governante cair mais facilmente com um escândalo de conduta pessoal deve-se mais a hipocrisia nas relações de sociedade. O Iraque não é mulher de ninguém, pode-se invadir, não estará expondo nenhuma cicatriz da sociedade perfeita.

    Abraços!

    Esperamos você aqui em Santiago!

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