Fulgêncio, Fidel

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Esse post do Generation Y toca em um debate bem atual, mas pouco conhecido. A autora põe em linhas concretas um debate entre Eduardo Galeano e Heinz Dieterich [outro link] (criador do termo "socialismo do século XXI").
 

Galeano, sempre entusiasta da Revolução Cubana, colocaria em xeque o governo cubano que, sob diversas práticas, desrespeitaria as liberdades civis, e atravancaria o "curso" da Revolução.
 
Já Dieterich chama a atenção a como o governo, e a revolução, estão cada vez mais entrincheirados, e sob a ameaça de Cuba tornar-se uma nova Costa Rica. 
Galeano diz que não acredita na «democracia do partido único». O partido único em Cuba não nasce, como ele sabe, do leninismo, mas sim da compreensão de José Martí, de que qualquer divisão política de Cuba acaba no colonialismo.

(…) Ante a cômoda posição principista de Saramago e a patética posição subjetivista de Galeano, existe uma terceira posição perante os fuzilamentos: discordar com a pena de morte e ser solidário com os esforços heróicos do projeto cubano, de não cair como «fruta madura no seio dos Estados Unidos», como previram os criadores da doutrina Monroe, há 200 anos.

O futuro de Cuba não está na podre institucionalidade da civilização burguesa, nem no controle por parte de suas elites corrutas. Seu futuro está na abertura para a democracia de participação pós-capitalista e sobre esta nada dizem Galeano e Saramago.

Há que se ter atenção tanto à crítica de Galeano, quanto à resposta de Dieterich. Poderia ser quase um "funcionalismo social" às avessas: durante o século XX os revolucionários sempre permaneceram como a ameaça de uma mudança radical, enquanto os funcionalistas acreditavam que a sociedade poderia ser melhor apenas aparando as arestas anti-civis. Agora, Dieterich sugere a Cuba o simétrico e o inverso: Cuba não pode cair como "fruta madura" no seio dos EUA; restaria a ela ou se contorcer com os últimos espasmos, violentos para com um povo ávido por liberdades civis, ou corrigir as distorções e seguir o rumo da Revolução.
 
O pequeno texto de Yoani Sanchez abre precisamente essas questões. 
 
*** 
E sin embargo, a Cuba sem embargo, como seria? 
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Um comentário sobre “Fulgêncio, Fidel

  1. Preocupo-me com a situação da Yoani. Desconhecia o seu blog, terei que dedicar várias horas à leitura, tentando fugir um pouco dos comentários, que pelo que vi são coalhados de castristas e anti-castristas (Fidel segue sendo Fidel, mesmo nos bastidores), com inflamados maniqueísmos parecidos com os de qualquer lado onde se discuta política…
    Não consegui seguir o link para o texto do Heinz Dieterich. Algum problema com ele? Gostaria de lê-lo para seguir o teu próprio raciocínio e chamamento ao debate…
    Abraços

    RE: Rapaz, tiraram o link. Já era antigo, e eu citei a mesma passagem em um post que está engatilhado. Mas encontrei outro link, e lá está. Pq será que foi retirado?
    abraços,

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