Gigantes petrolíferas retornam ao Iraque (e sem concorrência).

Na Folha

Gigantes petrolíferas ocidentais –como a Exxon Mobil, Shell, Total e BP (British Petroleum)– estão em fase final de acertos com o Iraque para voltarem a explorar as reservas petrolíferas do país sob contratos firmados sem concorrência, revela o "New York Times".

As companhias estão há 36 anos longe do país, desde que o ex-ditador iraquiano, Saddam Hussein, nacionalizou as concessões das empresas. A expectativa é de que os acordos sejam anunciados no próximo dia 30. O jornal cita como fontes funcionários das petrolíferas e do Ministério do Petróleo iraquiano, além de um diplomata americano.

Segundo a reportagem do diário americano, os contratos sem concorrência são raros na indústria, e as empresas deixaram para trás "mais de 40 companhias, incluindo petrolíferas da Rússia, China e Índia". Ainda de acordo com o "NYT", "os contratos terão duração de um a dois anos e são relativamente pequenos para os padrões da indústria, mas, no entanto, dariam às companhias uma vantagem em disputas por futuros contratos".

O jornal cita desconfianças no mundo árabe e entre o público americano, que suspeitam de que os Estados Unidos só foram à guerra no Iraque para assegurar o petróleo que essas empresas agora buscam explorar.

De acordo com o jornal, "não está claro qual foi o papel desempenhado pelos EUA no fechamento dos contratos" e ainda há "conselheiros americanos no Ministério do Petróleo iraquiano".

Altos funcionários de duas das companhias beneficiadas disseram ao jornal, sob condição de anonimato, que "ajudavam o Iraque a reconstruir sua decrépita indústria do petróleo".

Aumento da produção

O governo iraquiano disse, de acordo com o jornal americano, que seu objetivo, ao chamar as petrolíferas é "aumentar a produção de petróleo em meio milhão de barris por dia, atraindo tecnologia moderna e conhecimento técnico".

Atualmente, o barril do petróleo bate na casa dos US$ 140. Os contratos, sugere o jornal, são uma grande oportunidade para que as gigantes petrolíferas reponham suas reservas, enquanto o petróleo dá sinais de esgotamento em todo o mundo.

Segundo um porta-voz do Ministério, os contratos sem concorrência foram uma medida emergencial para trazer "habilidades modernas aos campos de petróleo enquanto a lei petrolífera está pendente no Parlamento".

De acordo com os dois altos funcionários entrevistados pelo "New York Times", "os contratos são uma continuação de um trabalho que as companhias vêm conduzindo junto ao Ministério do Petróleo, ao longo de dois anos de memorandos de entendimento".

Segundo eles, as companhias cederam aconselhamento e treinamento gratuito aos iraquianos e, por isso, os contratos não foram abertos à concorrência pública. Segundo o jornal, 46 companhias mantiveram contatos, através de memorandos, com as autoridades iraquianas, mas não foram beneficiadas.

O texto da Folha é apenas o informe desse outro, do NYT. Merece ser lido integralmente, por um motivo muito simples: momentos históricos que não serão contados nos livros de História merecem alguma atenção, correto?

Outro dado que não ficará para a História, mas tem incrível ressonância com essas novidades, é esse pequeno texto de um blogueiro iraquiano. Trata exatamente do mesmo assunto, mas visto do ângulo dos que deveriam ser os principais interessados nisso tudo.

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