Fichas sujas, e pré-candidatos

 Da ABN:

O Democratas promete que vai punir candidatos às eleições municipais deste ano, que estiverem com ficha suja e não estiverem de acordo com o que determina resolução do partido, que trata das candidaturas do DEM. A garantia foi dada hoje (1º) pelo presidente do partido, deputado Rodrigo Maia (RJ). Segundo ele, a resolução não restringe tudo, mas impede certas candidaturas.

“Não é razoável ter candidaturas de pessoas que estejam respondendo processos por crime hediondo. Também não é correto, por uma acusação do Ministério Público, cassar uma candidatura, nesse caso por improbidade administrativa, crime contra  a economia. Nós fizemos a restrição da pessoa já derrotada em segunda instância”, explicou Rodrigo Maia.

De acordo com Maia, o partido vai precisar do apoio da  imprensa e da sociedade para denunciar candidaturas do partido que firam a resolução, até porque o DEM não dispõe de estrutura para fiscalizar as candidaturas nos mais de cinco mil municípios.

“Vamos precisar, a partir do registro das candidaturas, do apoio da sociedade e da imprensa  para que a gente possa, naqueles casos aonde a resolução possa ter sido desrespeitada, tomar a atitude de que se faça cumprir a decisão do Diretório Nacional do DEM”, disse o presidente do partido.

Reconheçamos que não se trata propriamente de um problema exclusivo do DEM, mas… a história é deveras estranha, não? Como se admite uma candidatura para cargo público, partindo do pressuposto que o candidato tem seu histórico público sujo?

Isso apenas é possível se os interesses de uma candidatura não perpassam de saída interesses públicos. Um indivíduo pode se candidatar por outros motivos, que em nada tornam incômodo o candidato estar sob os olhos da Lei. Rodrigo Maia ainda endossa: avise-nos a nós, em tese principais interessados por bons candidatos, se o candidato não for bom.

Isso não é novidade no Brasil, e talvez a crítica pura e simples (isso é errado, então façamos com que apenas entrem candidatos com ficha limpa) não baste. Talvez deveríamos nos perguntar que mecanismo interessante é esse. Elegemos indivíduos potencialmente (ou de fato) criminosos, concedendo ainda diversos privilégios legais. Quando agora se começa a contestar tal procedimento, criamos uma espécie de vigilância, mas sempre retroativa. Não evitemos que candidato sujo se candidate, "sujeira" não é condição prévia. Mas se alguém se incomodar, e esse incômodo for suficientemente visível para que repercuta negativamente na imprensa e na opinião pública, sejamos então "justos". Façamos "cumprir a lei".

Alguma coisa torna bastante difícil os políticos investigarem seus co-partidários, e não é o tamanho de um partido. 😀

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