Uma demonstração científica da vida futura

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Encontrei por acaso o A Scientific Demonstration of The Future Life, de Thomson Jay Hudson, publicado em 1896 (a edição do link é de 1895).

O objetivo desse livro é delinear um método de investigação científica a respeito dos poderes, atributos, e o destino da alma, e especificamente apontar e classificar um número suficiente de fatos autenticados da ciência psíquica para demonstrar o fato de uma vida futura para a humanidade.

O autor faz uma espécie de revisão de antigas "crenças" sobre a imortalidade, entrecruzada com concepções da ciência do século XIX. Começa por Francis Bacon. Passa pelo espiritismo, e depois vai parar no Pentateuco. Dedica um capítulo a Jesus, e bem depois recorre à demonstrações da dualidade do homem segundo a biologia e a evolução (!). Com tais bases, pode discorrer de afecções e faculdades da alma.

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O que é interessante nisso tudo? Várias coisas. Em primeiro lugar, o nascimento da psicologia permitindo (para alguns) uma espécie de possibilidade de alçar o conhecimento de tudo, até do "problema mais importante da existência humana". Em segundo lugar, as aspirações sistemáticas e "supra-sensíveis" do homem são colocadas na rés do chão, não como modo da razão operar, mas como fato, e fato psíquico (e aí a argumentação sobre a dualidade assentada no corpo e na evolução é algo bem interessante). Ainda, sob o fictício debate criacionismo x evolucionismo, opiniões de certo modo intermediárias. Por fim, o tema da "vida futura" poderia ser vinculado a várias crenças que nasceram no século XIX (o espiritismo, dentre elas), e outras ainda do século XX.

No mesmo assunto, o Giornale Nuovo dedicou alguns posts sobre Joseph Glanvill. Poe era um leitor "ilustre" de Glanvill. Este pensador (do século XVII) tem vários livros, de manuais sobre como reconhecer bruxas, passando por ensaios sobre ceticismo, até um sobre a imortalidade da alma. Por acaso, o Mr. H. presenteou ao blog esse último, intitulado Lux Orientalis (sobre a preexistência das almas). Mas vejam só, unindo Glanvill e Hudson, como seria interessante um estudo sobre esses contextos de "vida futura". 

Geralmente, esse tipo de estudo é conduzido por fiéis, partindo de algum tipo de prática que já acreditam. Interessante seria traçar uma relação de livros dessa espécie com outros, considerados mais "sérios" – o dos mais "verdadeiros", legados à posteridade. Também estudos históricos, entre diversos livros que buscavam, cada qual a seu modo, defender a existência futura ou prévia das almas.

O ganho disso tudo está nos pontos elencados acima. Sem contar como é bom sair do lugar comum, e dos manuais ordinários. Imaginemos o mundo de coisas escondido pela simplicidade dos manuais! 😉 

Outros livros de Thomsom, e de Glanvill.  

 ***

Falando em livros, o Catatau recebeu do Luís Fernando Batista o Os Evangelhos Perdidos, de Darrell Bock. O livro é uma introdução aos evangelhos apócrifos. Fica nosso agradecimento ao Luís pelo livro! Futuramente, comentamos.

A respeito de Bock, ele mantém um blog aqui, e um pedaço do livro está disponível aqui (em pdf).

***

Fizeram ontem em Curitiba um curioso experimento, chamado "desafio intermodal": de um certo ponto da cidade até a prefeitura, em horário de pico, quem chega primeiro?
 
a) O motoqueiro
b) O cliclista
c) O motorista 
d) O pedestre, via ônibus público
e) O pedestre, a pé
 
Alguém adivinha? Respostas aqui, aqui e aqui. A reportagem da Globo discordou.
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3 comentários sobre “Uma demonstração científica da vida futura

  1. Se hoje fôssemos queimar algo em fogueiras poderíamos começar pelos manuais de psicologia. rs

    Gostei da sua reflexão…

    beijos

    RE: heheh por qual vc começaria, Marcela?
    bjs,

  2. Hilária essa reportagem da RPC… O comentário da jornalista loira: Só faltou gente de avião. E depois a contradição absurda entre o resultado anunciado e a fala do motoqueiro… hahaha

  3. Ops, pior que essa foi uma repostagem, para uma provável blogagem coletiva sobre ciência, e respingou o resultado de um teste já antigo. Erro nosso! Mas o teste foi muito interessante, de qualquer forma!

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