História dos Monstros

Encontrei um livro muito interessante, intitulado Histoire des Monstres depuis l´antiquité jusqu´a nos jours (link ruim de abrir!), de um certo Dr. Ernest Martin. A publicação, de 1880, não parece destoar de uma série de preconceitos eurocêntricos e retrospectivos (a temática da ‘descoberta’, do ‘progresso’, da ‘humanização’ do ‘monstro’, da ‘objetividade’ do ‘homem’, e assim por diante). Mas Martin reúne material muito precioso nesse livro, especialmente para quem busca compreender como surgiu noções como a de ‘normalidade’.

Além da temática histórica, o livro é bom para encontrar material sobre várias épocas. Já na Introdução,img375/2731/05ul6.jpg Martin menciona a ‘descoberta’ de Étienne Geoffroy Saint-Hilaire de um monstro embalsamado no antigo Egito, em 1826. O ‘monstro’ foi encontrado numa tumba de Hermópolis para ‘animais sagrados’, junto com um amuleto que representava um macaco. No fim das contas, tratava-se de um ser humano, "nascido de mulher", porém sem cérebro (um "acéfalo", conclui Martin); o tratamento do ‘monstro’ no antigo Egito carregava uma série de significados sacros, diversos dos de outros animais (papel simbólico e radicalmente diferente de tudo o que podemos imaginar!); e enfim, ‘descobria-se’ que, no mesmo movimento, para uma determinada cultura um indivíduo teria origem bestial, e ao mesmo tempo, estatuto sacro. Algo mais irredutível às nossas crenças?

Mas Martin não é Borges. Portanto, temos aqui um livro muito interessante de um autor do século XIX sobre a história da monstruosidade, recheado de referências.

 

Monsters and History

Some time ago i found a very interesting book, intitled Histoire des Monstres depuis l´antiquité jusqu´a nos jours , writed by an author named Dr. Ernest Martin. The book (of 1880) belongs to a XIX Century tradition of several eurocentric  preconceptions, specially anthropological, sociological, and anachronic. But the curious aspect of this book is the amount of historic informations and traditional significances about "monstruosity". The book is a interesting resource on subjects like history of "normality", and others.

Beyond the historical thematic, the book is interesting to found references of several periods. On the begining, Martin comments about a "discovery" by  Étienne Geoffroy Saint-Hilaire, of a "monster" found at ancient Egypt. The monster was found on a tomb near Hermopolis, for "sacred animals", together with an amulet representing a monkey. The "monster" was an human being, "been born of a woman", but without a brain (an "acephalous", according Martin). The social pratices related with the ancient Egipt "monster" implied several sacred meanings, different of other animals (a simbolic role, radically different of all that we can imagine!). At last, it was "uncovered" that, on the same way, for a determinated culture a determinated type of human being was in one way a "bestial" being, and in other a "sacred" being. Can we imagine something more irreducible to our beliefs?

But Martin isn´t Borges. By the way, it´s a very interesting book of an XIX century author, about "history of monstruosity", and stuffed of references.

***

O presente texto é uma repostagem, para a nova blogagem coletiva do "Nos ombros de gigantes", sobre História da Ciência (postagens até dia 15/8). Todos podem participar, em qualquer idioma. Basta escrever um post sobre algum livro ou assunto relacionado à história das ciências, e seguir os passos ditados lá.

Na edição passada, o Catatau participou com Vesalius e La Mettrie

Inclusive, poderíamos pensar em blogagens coletivas desse tipo em blogues brasileiros, alguém acha a idéia interessante? 

Quanto ao inglês, é de botequim mesmo emoticon 

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4 comentários em “História dos Monstros

  1. Muito interessante, Catatau!

    Lá no Cazzo (http://quecazzo.blogspot.com/), em textos menos recentes, tanto Cynthia como Jonatas abordaram a temática da monstruosidade.

    RE: Encontrei esses textos por lá, Artur. Interessante! Inclusive gostaria de saber o interesse de vocês na Venus Hottentote, não é a primeira vez que os vejo mencionando. A que se deve?

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  3. Bem, tenho algumas hipóteses psicopatológicas para explicar a teratopatia de Cynthia e Jonatas, mas não quero ser inadequado.

    Jonatas estuda tecnologia, principalmente as biotecnologias. Foi parar na teratologia, provavelmente, estudando as mudanças históricas ocorridas na percepção e na manipulação do corpo humano.

    Já Cynthia interessou-se pela Vênus Hotentote porque vêm estudando gênero. Acho que a Vênus era um bom exemplo de um olhar etnocêntrico, implicando relações sociais de gênero, em relação ao corpo da mulher (monstro e mulher).

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