China, Olimpíadas, e Kung Fu

Via grupo d´O Estrangeiro, uma entrevista com o Sinólogo Elias Jabbour, intitulada "Ocidente não tem moral para criticar":

Mas há a questão da censura…
É o seguinte: o país que mais controla a internet no mundo são os Estados Unidos, não a China. Hoje qualquer conteúdo de internet nos Estados Unidos é vigiado, muito conteúdo não é publicado e ninguém fala isso. Outra coisa: os americanos cassaram, no ano passado, 46 concessões de TV. A Venezuela cassou uma e foi aquela coisa que todo mundo viu. O ocidente, do ponto de vista da democratização e dos direitos humanos, está desmoralizado. Um país como a Inglaterra, que fez uma guerra contra a China para legalizar o consumo de drogas (NR: a chamada Guerra do Ópio, travada no século XIX) , pode falar alguma coisa de direitos humanos para a China? A chanceler alemã Angela Merkel disse que iria boicotar a abertura dos Jogos Olímpicos por causa da questão do Tibete; a Alemanha tem alguma moral para falar da China? Os imperadores alemães mandaram matar tudo quanto é chinês na ocupação da China no século retrasado. A história nos demonstra muitas verdades. O Ocidente é desmoralizado para dar lição de democracia para a China.

Se diz que na China o poder está nas mãos dos trabalhadores, mas há milhares de empresários, capitalistas, filiados ao Partido Comunista. A filiação de empresários é algo já institucionalizado no partido. O que garante que os empresários, sob essa ótica marxista, não vão assumir a hegemonia do partido e reverter essa situação? Não é contraditório?
A contradição é em termos, vamos dizer assim. O Partido Comunista da China expressa os interesses de toda a nação, e os capitalistas são parte dessa nação. A questão é a seguinte: os capitalistas têm poder ou não na China? Não tem poder, porque hoje eles são 0,003% do partido. Esse é um dado, e tem o outro lado da questão: esses empresários são resultado de que tipo de política e de qual tipo de partido? São resultado do Partido Comunista e tem de estar de acordo com esse partido. Não existe, no plano imediato – não vou falar do futuro porque não sou profeta (risos) -, a menor tendência de reversão de quadro, dos capitalistas terem poder. Esse partido tem condições de manter os capitalistas e o povo satisfeitos. De certa forma, os interesses deles são os mesmos, porque os capitalistas têm capacidade de empreendimento, que gera emprego, etc. Foi uma sacada política genial ter colocado os capitalistas debaixo desse guarda-chuva do Partido Comunista.

Continuando o assunto da China, faz anos que se falava sobre inserir o Kung Fu (ou Wu Shu, "Esporte Nacional") nos jogos. Até agora, pouca ênfase foi dedicada à arte chinesa. Pelo jeito, o resultado final foi organizar um campeonato simultâneo à Olimpíada, mas sem figurar na categoria "esporte de demonstração".
 

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5 comentários em “China, Olimpíadas, e Kung Fu

  1. Meu Deus! Quanta asneira em tão pouco espaço! Que comparações esdrúxulas! Não sei por que motivos os EUA censuram sites da Internet, mas com certeza não é por que o site discorde do Governo, como é na China. Não sei por que os EUA não renovam concessão de TV, mas com certeza não é porque o canal discorde do Governo, como na Venezuela. Percebeu a difença, seu estropício? Comparar o que determinadas pessoas fizeram há muito tempo atrás com o que OUTRAS pessoas fazem agora é tão válido quanto comparar alhos com bugalhos. Não foi a Alemanha ou a Inglaterra que fizeram isso ou aquilo. Foi quem estava no poder, que não tem nada a ver com quem está agora.
    A China não está na mão dos trabalhadores e sim na mão de uma oligarquia política. Vou parar por aqui, pois o espaço e minha paciência estã acabando.

  2. Dizer que o país que mais controla a internet são os EUA e não a China é uma completa inverdade. Não há o menor termo de comparação entre um e outro.

    E dizer que tal país não pode criticar a China porque há, sei lá, 200 ou 300 anos fez algo que não condiz com sua política atual, é uma prova de que esse cara não tem argumento nenhum para defender o regime chinês — mas defende assim mesmo.

    Tenho OJERIZA a defensores do “comunismo” chinês. Se o país fosse realmente socialista, mesmo sendo uma ditadura, seria perdoável. Mas tem o pior do comunismo do século XX (censura, controle sobre a vida dos cidadãos) com o pior do capitalismo do século XIX (quase ausência de direitos trabalhistas e previdência social).

  3. Ô Chico,

    Penso que a parte de cima do post realizou o objetivo, que é divulgar um estudioso da China que discorda com boa parte do que se diz por aí. Mas não confundamos alhos com bugalhos: um pouco de suspensão de juízo nunca fez mal a ninguém, percebeu a diferença? – ou preciso escrever um tratado para prestar contas tintim por tintim de minhas intenções?

    Se fosse enunciá-las, diria que não são nem alhos, nem bugalhos. (Talvez precise retificar que, no último post, meu interesse no Egito antigo não se deve à admiração de seu culto a acéfalos sagrados, vá saber…)

    Por isso, acharia muito interessante que você “não parasse por aí”. Acho realmente uma questão importante discutir sobre a China não ser nem o que diz alhos, nem bugalhos. A “paciência” é problema seu 😉

    (só cuidemos com o vocabulário, viu?)

    Marcus,

    O que achei interessante na entrevista dele não foi a defesa da China em nome de um ocidente “sem moral”, mas generalizar as ausências de moral. Não é só a China que não tem moral. A entrevista não deve ser lida como defesa ingênua da China. E o autor não é tão grosseiro a ponto de despertar os ódios flafluzescos entrevistos por aqui.
    Para ser mais exato, ocorreu-me nos exemplos do Jabbour algo como a história do Irã e do Afeganistão. Acho muito bom quando Robert Fisk diz que o Talebã é um regime de refugiados com voz de refugiado ampliada ao nível do controle de um país inteiro. Saltam aos olhos as relações com o ocidente, do século XIX até a queda da URSS.
    No Irã, da deposição de Mohamed Mossadeq à ascensão dos aiatolás, temos toda uma série de relações com o ocidente que traziam desprivilégio ao próprio país, e que culminaram em uma explosão ultra-conservadora.
    Talvez o tipo de dinãmica da China não diga respeito a “bons” e “maus”, mas à delimitação de que tipo de relações econômicas e sociais ocorrem de fato por lá, desde antes de 49. Fora dos filtros que vemos todo dia na televisão.

  4. Acho que o Chico se exaltou sem razão.
    É um fato incontestável que os EUA controlam grande parte de seu país e também outros países através das mídias de massa (entre elas a TV e a Internet).
    Um exemplo disso é que durante essas olimpíadas (2008) o rank de medalhas está sendo exposto de maneira diferente nos EUA (por número de medalhas e não pelo “peso” que cada medalha possui), com o objetivo de colocá-los na primeira posição.
    Mas concordo que comparar fatos históricos com o governo ou política atual é no mínimo complicado.
    Pois a culpa e a fama de determinado ato não deve recair sobre o país como um todo, e sim nos governates que estavam no poder naquele momento.

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