Sangue, suor e suporte

Eduardo Santos Vanderlei Cordeiro de Lima
 
Esse texto do Marcio Pimenta complementa muito esse outro, do Inagaki, sobre a participação do Brasil nessas olimpíadas. Se uma química fundisse os dois textos, teríamos a medida do sucesso de outros países, mediante a eterna "promessa" brasileira. Juntando uma pitadinha de Moacir Scliar
 
Por aqui, um Cesar Cielo e um Eduardo Santos mostram os dois modos de operar do Brasil: o do brasileiro que deve buscar apoio no exterior, sempre sob impulso e suporte familiar; e o do brasileiro que permanece batalhando no próprio país, sem incentivo algum (nem para o exame de faixa).
 

O nervosismo de Daiane dos Santos e Diego Hypólito, diante de tranquilos indivíduos como Shawn Johnson, dizem muito mais do que preparo individual. Desculpar-se aos brasileiros para quê? Cada brasileiro sabe que moveu pouco ou nada para que o perfil do esportista mudasse por aqui. De resto, o mérito é todo dos ginastas – e só deles – por atrairem visibilidade a modalidades tão alienígenas para o Brasil boleiro.
 
Não foi um Brasil interessado nos brasileiros que criou bons ginastas; foram os bons ginastas que, pela própria competência, geraram condições melhores para si mesmos e os seguintes.
 
Uma moleca descalça e desocupada nos areiões de Alagoas é só mais um, correndo atrás da bola. Deve se tornar antes uma Marta, para que receba alguma atenção. Senão, onde se viu mulher jogando bola?
 
Existe algo confuso no suporte que recebe o atleta brasileiro. Não se trata de dizer apenas que o problema é público, ou privado. Antes disso, o problema reside no suporte vir sempre depois. Até nas ONG´s de "incentivo" ao esporte o "incentivo" vem depois da propaganda. E o areião nos dá bem a dimensão de uma Marta, em vista das piscinas usadas por um Michael Phelps.
 
Michael Phelps, por aqui, só se fosse uma espécie de super-homem: alguém que enfrenta, todos os dias, a tudo e a todos (fora certas ONG´s duvidosas, quem sustenta o discurso de que esportista se dá bem na vida?); e de quebra, enfrenta o resto do mundo, quando chega numa olimpíada.
 
Para enfrentar o resto do mundo, um Michael Phelps não enfrenta, todos os dias, o mundo inteiro. Preocupa-se apenas em treinar. Para um Eduardo Santos, já é uma preocupação pensar se continuará treinando. "Quando for a Pequim…", pensava Phelps; "Conseguirei ir a Pequim?", perguntava-se Santos.
 
A distância entre a afirmação e a pergunta diz muito sobre o brasileiro e suas medalhas.
 
*** 
Não fosse o Calcinha Preta, o Pirambu não jogaria contra o Corinthians. Aí está um incentivo verdadeiro ao esporte. O time sergipano nunca levaria o nome do patrocinador na camisa 😉
Anúncios

2 comentários sobre “Sangue, suor e suporte

  1. Perfeita análise, é assim que penso tbm. Aqui, cada atleta só o é por amor a seu esporte, contra tudo e contra todos, se tiver apoio antes da fama é o da família e só.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s