Curitiba: Eleitor ficará sem saber quem são os doadores de campanha

campanha eleitoral
 
Assessoria de Richa desconversa sobre o assunto. PT diz que só revela financiadores se Beto fizer o mesmo. Moreira não vai tornar pública a relação. Apenas o PTB está mais flexível
 

Não será desta vez que os eleitores de Curitiba saberão, antes de votar, quem são os financiadores das campanhas dos principais candidatos a prefeito. Consulta realizada pela Gazeta do Povo perante a assessoria dos concorrentes à prefeitura da capital mostra que os principais candidatos não estão propensos a divulgar o nome dos doadores de suas campanhas antes do dia da eleição – o que é permitido por lei (os partidos só são obrigados a revelar os financiadores após a divulgação dos resultados).

A assessoria do candidato à reeleição, Beto Richa (PSDB), desconversou sobre o assunto. Informou à reportagem que a coordenação da coligação ainda não tem uma definição sobre o assunto. A campanha de Gleisi Hoffmann (PT), por enquanto a principal concorrente de Richa, condicionou a revelação de quem são ou serão os doadores, durante a campanha, a uma atitude idêntica do candidato tucano.

O coordenador jurídico do PT, Guilherme Gonçalves, comentou que os PT não irá apresentar esses dados, se o PSDB não o fizer. “Dificilmente alguém da campanha dos grandes partidos irá se dispor a divulgar essas doações, caso o candidato à reeleição não divulgue as dele”, salientou Gonçalves. Ele destacou ainda que os partidos terão que informar esses dados na prestação final de contas. Segundo Gonçalves, nas prestações parciais (que são divulgadas durante a campanha) a exigência do TRE é que conste apenas o quanto cada partido arrecadou e o quanto gastou.

O coordenador da campanha de Carlos Moreira (PMDB), Rasca Rodrigues, afirmou que o partido não pretende tornar público o nome das empresas que financiam a campanha antes de 5 de outubro. Já o PTB, do candidato Fabio Camargo, foi mais flexível. A informação foi a de que não haveria nenhum problema em divulgar quem são os doadores. Mas, questionado sobre quem são as empresas que contribuiram para a campanha até o momento, o coordenador geral da campanha, Mateus Maranhão, disse que ainda não havia recebido nenhum dinheiro de pessoas jurídicas, apenas de pessoas físicas. “Até agora gastamos apenas R$ 150 mil, porque ainda não fomos ‘para a rua’.”

O PV, de Maurício Furtado, já disponibiliza o nome de todos os doadores em seu site. O partido, por norma, não aceita doações de empresas, apenas de pessoas físicas. “Adotamos esse posicionamento para não estar comprometido com nenhuma empresa”, afirmou o presidente do comitê financeiro do PV, Raphael Rolim de Moura.

Na mesma linha seguem o PSol, de Bruno Meirinho, e o PCdoB, de Ricardo Gomyde. Os partidos informaram que não teriam nenhum problema em divulgar quem são os financiadores das campanhas. A assessoria de imprensa do PSol esclareceu que os valores são arrecadados junto à militância e simpatizantes. E que também não aceita doações de empresas.

O advogado do PCdoB, Manuel Barbosa informou que o partido não recebeu nenhuma doação de pessoa jurídica. Os coordenadores de campanha de Lauro Rodrigues, do PTdoB, não foram encontrados pela reportagem.

 
***
Texto daqui. Isso é o que chamamos de transparência, não?
 
Aliás, a campanha de Curitiba é extremamente curiosa. Nas eleições para presidente, aqui deu Alckmin (PSDB); para governador, Osmar Dias (do PSDB, e adversário do governador Roberto Requião). Beto Richa (PSDB), o atual prefeito, lidera as pesquisas com 70% das intenções.
 
Diante desse quadro, Richa pode vencer ainda no primeiro turno. Sua principal adversária, Gleisi Hoffman (PT), investe no apoio de figuras não muito quistas por essa maioria curitibana das últimas eleições. Lula (que inicialmente disse não interferir nas eleições para prefeito, mas reformulou a posição para interferências estratégicas) já aparece em suas propagandas de campanha.
 
No último debate, Hoffman foi muito bem. Teve posições coerentes, e firmeza. Sua imagem de campanha, entretanto, repete os velhos clichês batidos das campanhas eleitorais, e ainda exagera. Se no debate da Band ela teve boas contribuições e falas, os vídeos da propaganda eleitoral apelam (como na campanha de senadora) a clichês emocionais, da mocinha delicada (até demais) de família, defensora das mães e mulheres, etc.
 
De todo modo, nos clichês Hoffman não permanece sozinha. Todos os outros (exceto talvez, e com restrições, a frente de esquerda) praticam o ruim e enjoado marketing eleitoreiro – no mal sentido da expressão, com tudo o que apela à emoção do espectador, e nada à razão.
 
Interessante é o índice de 70% de Beto Richa. Algo não muito compatível com o que ocorre hoje em curitiba, já que uma das únicas coisas concretas feitas pelo prefeito é o concreto aplicado em certos trechos de canaleta, e na chamada "linha verde" (o carro-chefe de seu governo).
 
*** 
E já que falamos em eleições, a pergunta que não cala: será que os santinhos de candidatos, porcamente espalhados na rua, superarão os das prostitutas? 
Anúncios

2 comentários sobre “Curitiba: Eleitor ficará sem saber quem são os doadores de campanha

  1. O que mais irrita é que essa estratégia de prefeito tatu de querer fazer buraco na cidade antes das eleições enchendo de obras de mascaramento está dando certo. Eu mesmo ainda não paguei o IPTU só para não ajudar com mais 20 pilas a colocar mais uns votinhos pro Beto Banana.

    A coerencia só está aparecendo mesmo no PV e na frente de esquerda, concordo contigo.

    A tempo, há diferença entre políticos e prostitutas?

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s