Curitiba: Diga-me quem te financia, e te direi…

Reproduzo abaixo alguns posts já antigos do Caixa Zero, e que vêm bem a calhar para as eleições de Curitiba. Com a figura abaixo, já comentada aqui. E também, para o eleitor, não custa ler esse outro informe, sobre os candidatos que não divulgam seus financiadores de campanha. Por que será?

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Às vezes, a melhor maneira de contar uma história é elencar os fatos que se sabem sobre ela. Vejamos, por exemplo, o que se sabe até o momento (22/01/08) sobre a construção do mais novo shopping center de Curitiba, o Patteo Batel:
• O novo shopping pertence a Salomão Soifer, mesmo proprietário do Shopping Mueller.

• A Casc Administradora de Shoppings, gestora do Mueller, foi uma das maiores doadoras de dinheiro à campanha de Beto Richa para a prefeitura de Curitiba, em 2004. Foi registrada na Justiça Eleitoral uma doação de R$ 100 mil para o comitê de Beto.

• O Patteo Batel será construído no bairro mais chique da capital, a uma quadra da Praça Miguel Couto, a famosa Pracinha do Batel.

• O prefeito Beto Richa, apesar dos protestos de muitos moradores, abriu a Pracinha do Batel em duas, para passar por ela uma rua que desafogou o trânsito e facilitou o acesso à região.

• Na época da abertura da praça, a oposição ao prefeito tentou juntar os fatos. Mas todos disseram que não havia relação. Até porque o shopping não tinha nem autorização para ser construído.

• Agora, em 2008, último ano do mandato de Beto, descobre-se que no fim de 2007 a autorização para que o shopping seja erguido saiu. Será construído e inaugurado provavelmente ainda neste ano.

• A prefeitura diz que os fatos não têm relação uns com os outros. Afirma, inclusive, que uma série de contrapartidas foi exigida da empresa. O que inclui a doação de um bosque de sete mil metros quadrados, atrás do novo shopping, para a prefeitura de Curitiba.

• Último fato: em 2004, a campanha de Beto Richa não foi a única apoiada pela Casc. O Tribunal Regional Eleitoral registra uma outra doação, exatamente no mesmo montante, de R$ 100 mil, para outro candidato. Quem era? Ângelo Vanhoni, do PT, único adversário de Richa que parecia ter chances de lhe tirar a vitória eleitoral naquele ano.

***

A prefeitura de Curitiba já está abrindo a segunda parte da Rua Desembargador Costa Carvalho. O trecho que está sendo aberto agora passa por dentro do antigo Clube Juventus. É a mesma rua que passa pela Praça do Batel, aberta no ano passado. É a mesma também que levará fregueses das Mercês e do Champagnat, dois dos bairros mais ricos da cidade, para o futuro Shopping Patteo Batel, cuja construção a prefeitura já autorizou. O shopping é da administradora de Salomão Soifer, que deu R$ 100 mil para a campanha de Richa. Tudo coincidência.

***

Em 2004, a Camargo Correa patrocinou a campanha de Beto Richa. Durante seu mandato, ganhou a licitação para fazer um lote da Linha Verde. A administradora do Shopping Mueller também deu dinheiro para a campanha. E em breve abrirá mais um shopping no Batel: inclusive com trânsito fluindo livremente do Champagnat, depois da abertura da Praça do Batel. Agora, uma curiosidade. Essas empresas podem ter apostado em Richa porque o consideravam um bom político ou simplesmente queriam algo da prefeitura. No primeiro caso, deveriam apostar de novo no prefeito agora, para a reeleição, certo? No segundo caso, não teriam porque doar de novo, já que teriam conseguido o que queriam. Olhar as contas de campanha de Richa pela reeleição será bastante interessante.

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5 comentários sobre “Curitiba: Diga-me quem te financia, e te direi…

  1. O impressionante é que nenhum dos adversários do prefeito levantou a questão da pracinha do Batel nestas eleições! Como é que pode?

    E mais uma demonstração do quanto o prefeito está juntos dos donos de shopping (não quero ser repetitivo, mas vamos lá de novo) é o veto que deu à lei (aprovada na câmara) de que todo estabelecimento comercial de porte médio e grande deveria reservar vagas para bicicletas. Não iria ter custo nenhum para o município e iria facilitar e estimular muito o uso do modal. Depois vem posar de que vai construir muitas calçadovias, ops, ciclovias.

    Beto, fica!

  2. moro na regiao e fique satisfeita com o resultado das manobras do transito na pracinha do batel. nao vejo nada de errado. entao se eu doar 10 reais para a campanha terei que sair de curitiba para nao me beneficiar de qqr bem feito na cidade? doaram e tbem estao concorrendo no mercado do comercio. e dai? sao empregos e isso ninguem lembrou? se bem q nao acredito q esse shopping de certo, o q tem na frente da pizza hut é um lixo. o povo acaba indo la pro barigui shopping.

  3. lila:
    O que me preocupa não é a utilidade (ou a conveniência) de certas obras da prefeitura, mas o fato de a prefeitura parecer “sensível” aos desejos daqueles que contribuem para determinado partido.
    Afinal, o que determinou a referida obra foi uma necessidade, escorada em critérios técnicos, ou foi um arranjo para satisfazer alguns amigos?
    E mais, tal raciocínio leva inevitavelmente a perguntar: Que outras obras podem ser incluídas nesta argüição?

  4. Melhor receber “incentivos” e fazer algo pelo bairro/comunidade do que receber e não faze-lo.

    e o beto ganhou =)

    RE: Peraí meu filho: Mostre então como o benefício aos financiadores de campanha se reverte diretamente em benefícios para a comunidade em geral (sem o servilismo e hipocrisia generalista do “faz bem aos grandes, então fará aos pequenos”), que te dou um chocolate 😉

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