Jornalistas, e especialistas

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Uma reportagem (não por acaso, feita em Curitiba) mostra: com o aumento do número de carros, os níveis de stress dos motoristas aumentam correlativamente. Mais trânsito, menor fiscalização dos guardas, sucateamento do transporte público: resultado, mais stress.
 
O que fazer? A repórter consulta uma psicóloga. E ela fornece a resposta de especialista: para não sofrer no trânsito, o motorista deve pensar em coisas boas, tentar não se irritar, ouvir uma música agradável, e afins. O motivo do incômodo é a irritação do incomodado, não é mesmo?
 
Dias depois, outra repórter cobre os assaltos em Fortaleza. Cidade turística, presencia seus turistas vitimados por salteadores – são tantos, que mais parecem formigas, do que ladrões.
 
Agora a repórter recorre ao policial (talvez não fosse caso para psicólogo, vá saber): para não ser assaltado, o turista deve evitar passear tranquilamente nos calçadões, tomando água de côco, e ostentando roupas de turista. Está vendo essa bolsa com fios de tecido? Pode aparecer um ladrão, e facilmente cortá-los. Vê a desatenção,  o andar tranquilo, segurando o côco?  Alvo fácil. Turista despreocupado – enfim, turista – pode se dar mal, conclui a análise do policial. E o título da reportagem: "Turismo com segurança: Policiais ensinam como evitar que as suas férias no paraíso virem um inferno" (sic).
 
É incrível o tipo de cobertura de certos jornalistas. Imaginemos o que se ensina por aí, em certas faculdades 😉
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3 comentários sobre “Jornalistas, e especialistas

  1. A culpa no assalto é da vítima. A culpa no fracasso escolar é do professor, ou do aluno, ou da escola, ou dos governos (dependendo do entrevistado), a culpa… para mim é mais a desculpa. depois, achar culpados geralmente não nos ajuda a resolver os problemas.

    Quanto aos especialistas, amigo Catatau, é curioso como para um psicólogo “dar respostas” aos ser entrevistado por um jornalista costuma ser parecido com dar um tiro no próprio pé. A questão da duração para os psis é muito importante e o tempo/edição das reportagens acaba por distorcer qualquer tipo de argumento do mondo psi. Outro detalhe interessante que atiça a minha curiosidade costuma ser refletir sobre quais foram os critérios que levarma tal jornalista a escolher tal especialista/expert para “dar respostas” a determinado dilema. Oh, Puxa!

    Mais um post intrigante. Parabéns. Abçz. rfelipe

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