100 Km em Santa Catarina

Na sexta-feira dia 2 de janeiro, em plena chuva e um pouco antes dos alagamentos, em Santa Catarina a BR 101 enfrentou mais de 100 km de lentidão e congestionamento. Especialmente o trecho sul-norte, antes de Florianópolis, e onde até hoje as obras de duplicação não finalizaram.

Nesse mesmo trecho, ontem as notícias começaram a pulular: 15 municípios decretaram estado de emergência; 50 viajantes permaneceram literalmente ilhados em um trecho da 101, cercados por água (50 cm de lâmina) tanto para seguir, quanto para voltar; alguns trechos da BR, em notícia fortuita, indicavam rachaduras; indícios de deslizamentos na pista, e até mesmo uma pedra atingindo um carro. Enfim, aquele pesadelo ainda fresco na memória, de algumas semanas atrás, ameaçava retornar completo e agravado. A chuva era a mesma, com mesma intensidade, porém com muito mais gente envolvida. 

Em tal quadro (intempéries naturais, caos no trânsito, chuva torrencial), é de se esperar uma grande mobilização preventiva. Repetindo e dando ênfase, não faz muitas semanas que um quadro muito semelhante originou uma das piores enchentes do Estado.

Retornemos aos 100 Km de fila. Cai a chuva, desligam-se os carros, alguns motoristas e passageiros ocasionais descem. De repente, pelo acostamento, os mais apressados (geralmente playboys, pitboys e afins) tentam furar a fila. Os caminhoneiros se organizam para fechar o acostamento. Os playboys reagem, tentando ultrapassar agora no meio da pista, entre os carros (!). Um dos playboys se acomoda tranquilamente no acostamento, sai do carro e atravessa a pista, procurando alguém em outro veículo para acender o cigarro. Retorna ao carro, e de repente o cheiro de maconha invade os veículos próximos.

Depois de 10, 11 horas de percurso, apenas 100 Km vencidos. Lá na longínqua Florianópolis, quase no fim da fila (cuja placa anuncia as filas serem comuns, como se colocar uma placa fosse algo mais natural do que criar medidas preventivas), um único carro de polícia ultrapassa a todos, com sirene ligada, pelo acostamento.

Foi o único momento, em todo o percurso, que se viu alguém em tese preocupado com  tudo aquilo. Não que a polícia possa fazer milagres em uma movimentação de massa. Mas como Leminski já mostrava no Descartes catatauesco, existe uma estranha realidade por estas paragens, não afeita a civilidades, projetos de país, um "cogito" ("duvido se penso, se este tamanduá existe!" – e Vrijburg há de ser coberta por todo esse verde "corrosivo"), e afins.

"Cada um se vira como pode", disse uma daquelas vozes que no caminho quase escapam ao ouvido. De fato, junto à placa anunciadora dos engarrafamentos de Florianópolis, e o único carro de polícia passageiro, alguma coisa em meio a toda aquela chuva tinha que dar certo, além do isqueiro solícito para o baseado do playboy. As praças de pedágio que o digam – estão quase prontas, novinhas em folha.

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