Foguetes do Hamas são desculpa política para invasão, diz Neve Gordon

Enquanto se esconde com sua família para dormir em um abrigo anti-bomba em Negev, sul de Israel, o professor Neve Gordon foge à regra da guerra de propaganda do conflito que já deixou mais de 500 mortos e responsabiliza seu próprio país pelo conflito com os palestinos. Para ele, os ataques do Hamas são uma desculpa para uma ação com interesses políticos.
 
"A verdadeira razão da invasão é a proximidade da eleição em Israel. Além disso, os militares queriam mostrar serviço depois do fracasso no ataque ao Líbano em 2006", disse, em entrevista, por telefone.

 
Para Neve, que nasceu em um kibutz e ensina ciência política na universidade Ben-Gurion, o problema real da violência na região é mais antigo de que a própria tomada de poder de Gaza pelo Hamas, em 2007, e também é responsabilidade de Israel. "A ocupação é um erro", disse. "Israel é o ocupador [dos territórios palestinos], e essa é a base da violência pelas últimas décadas. A única forma de resolver este conflito é retroceder às fronteiras de 1967, reconhecendo o Estado palestino."
 
Esta ocupação foi, inclusive, o tema de sua principal pesquisa acadêmica, publicada no livro "Israel’s Ocupation" (não lançado no Brasil). Sem desculpar o Hamas, ele admite que o grupo radical islâmico apenas reage à opressão. 
"Sou contra toda forma de violência. Sou contra os ataques do Hamas, mas o ato da ocupação em si também é um ato de violência. Os foguetes são uma reação à ocupação, não podemos ignorar isso. Acho que os dois lados estão usando estratégias equivocadas nesse conflito de longa duração", disse.
 
Ele contou que é atacado por outros pensadores israelenses por suas opiniões, mas diz que não sofre censura. "Sou criticado, mas aqui há liberdade de expressão", disse.  
 
Soberania e paz

 O que acontece agora, segundo Gordon, é que muitos israelenses analisam de forma simplista a relação entre a Faixa de Gaza e seu país, alegando que a Faixa de Gaza foi desocupada há três anos, e que, desde então, o Hamas tem lançado foguetes em Israel. "O problema é que eles não admitem que os palestinos foram mantidos em uma jaula nos últimos três anos, sem soberania, sem liberdade de importação e exportação. Um líder do Hamas costumava dizer que, quando todas as portas estão fechadas, as portas da mesquita permanecem abertas. Israel fechou todas as portas."
 
Gordon acredita que Israel vá vencer o atual conflito, mas teme que ele só piore a situação no futuro. "No longo prazo, invadir a Faixa de Gaza vai machucar Israel", disse. Uma paz definitiva para a região, diz, dependeria ainda de grande atuação da comunidade internacional, e especialmente de Barack Obama. "Ele precisa pressionar Israel em busca de um processo de paz."
 
Medo

Apesar de dormir em abrigos contra os foguetes do Hamas, Gordon diz não ter medo dos ataques do grupo palestino, e diz que ter uma confiança com base em estatísticas. "Poucas pessoas morreram em Israel nos anos recentes vitimadas pelos foguetes do Hamas, cerca de dez, enquanto mais de 4.000 morreram em acidentes de carro. Acho mais perigoso dirigir até Tel Aviv de que ser atingido por um desses foguetes." [fonte]
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