A guerra rizomática

A nova comunidade argentina de Esquizoanálise (muito boa) publicou um artigo muito interessante, de Osvaldo Baigorria, sobre certas "cartilhas" inspiradoras de táticas de guerra israelenses:
 Durante los años ’90, el brigadier general (hoy retirado) Shimon Naveh fundó y dirigió el Instituto de Investigación de Teoría Operacional, cuya función era tratar de pensar la guerra a contrapelo de viejos conceptos militares. Los textos elegidos para ser difundidos entre las Fuerzas de Defensa de Israel fueron los de pensadores posmodernos franceses, pero el autor favorito resultó Gilles Deleuze, sobre todo su libro en colaboración con Félix Guattari, Mil mesetas. Así, muchos comandantes del ejército israelí se familiarizaron con un modelo descentralizado e irregular para enfrentar a la resistencia palestina en su propio terreno.
Esse tipo de perspectiva, além de interessante, é revelador de novas noções de guerra, diversas das "convencionais", e essencialmente correlatas às dinâmicas do mundo atual. Novas noções de guerra que rendem por sua vez novos problemas e estudos (+)sobre militância e ações efetivas.

 
Deleuze e Guattari são casos interessantes por ocasionarem diversos trabalhos de tom duvidoso. Há quem utilize os autores de Capitalismo e Esquizofrenia na seleção profissional ou em atuações para regulação do ambiente de trabalho, por exemplo. Mas o caso do emprego desses autores por estrategistas do exército israelense é diferente: em contexto organizacional ("organizacional", veja-se a ironia), muitos "aplicadores" da "caixa de ferramentas" desses franceses apenas constituem suas práticas por uma questão de incompreensão, inserindo tais conceitos em noções normativas e regulações segundo preconceitos sociais (receitas empresariais, modismos passageiros, etc.). Já o exército israelense faz diferente: seus analistas se interessam no funcionamento de noções como as de "rizoma", redes a-hierarquizadas, "nomadismo" e assim por diante.
 
Moral da história: o exército pensa sobre si mesmo, para diluir sua rigidez costumeira em ações descentralizadas, fortuitas, "líquidas", e matar com mais eficiência.  Baigorria conjectura, no texto acima, sobre onde isso pode chegar.
 
Para manter a ironia do post anterior, certos jornalistas da "direita" brasileira se surpreenderiam em saber que defendem atuações profundamente inspiradas em pensamentos considerados (por eles) "relativistas" e "esquerdopatas", "arautos da incerteza" 😉
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