Pelas cantoras feias

 https://i2.wp.com/i292.photobucket.com/albums/mm7/catatando/beyonce.jpg https://i1.wp.com/i292.photobucket.com/albums/mm7/catatando/susanboyle2.jpg

O Inagaki nos apresentou o surpreendente caso de uma cantora chamada Susan Boyle: desempregada, tímida, recatada, com 47 anos, e feia. 

Boyle participou de um desses "reality shows" onde se "descobrem" artistas. Esses shows, que possuem o objetivo principal de manter audiência e anunciantes, mesclam duas características principais: anônimos cantores, e anônimos toscos. Em meio aos anônimos toscos – a maioria, mero objeto de riso e talvez de quase toda a audiência -, os anônimos cantores despontam para o "sucesso", como se  não existissem gravadoras e mercado fonográfico, mas um manto em nossos olhos que se desvelasse diante de tanto talento. Como se o diamente bruto se descobrisse ao vivo, nas câmeras, em um programa de televisão, semelhante aos outros reality shows nos quais podemos presenciar o nascimento de um "amor verdadeiro", a produção de um filme pornô, ou a importante decisão na vida de uma madame sobre fazer uma cirurgia de aumento dos seios.

O uso do "diamante bruto" é nítido em Boyle: a mulher feia e desarrumada, sem gestos artísticos, objeto de riso da platéia; depois, o canto sublime, e a surpresa geral. Finalmente, o pasmo de todos, prolongado pelo golpe na nossa espectativa de mais um cantor feio e ruim.

Boyle é diametralmente oposta a todo o "glamour" empurrado diariamente goela abaixo. C´est la vie. Assim se cria audiência. Mas e nos outros casos, nas cantoras boas e boazudas, como a audiência se faz?

Sobre isso basta pensar nos principais shows – e cantoras – com relativo sucesso. O que presenciamos? Basta ver os programas de domingo: primeiramente, não importam o tipo de música cantada, a ênfase toda se situa na entonação e na aparência. A música pode ser "Como nossos pais", ou qualquer outra: alegre ou triste, a cantora permanece sorrindo, como se a música mais intimista ou a mais extrovertida merecessem sempre as mesmas firulas de entonação e a mesma expressão corporal. Em segundo lugar, recursos de palco para chamar a atenção, sendo o mais notável as danças coreografadas (com ou sem outras dançarinas). Tudo, menos a interpretação do cantor.

Um dos casos mais agudos e anedóticos dos últimos tempos é o da cantora Beyoncé, "flagrada" com enchimento na calcinha. Há quem corrija a informação: não é enchimento, trata-se de um mero "suporte" para "valorizar" o traseiro. Há ainda quem tenha coragem de polemizar isso, por incrível que pareça. Mas com ou sem suporte na bunda, vemos bem que o principal interesse da audiência não se situa necessariamente na música.

Talvez as músicas não sejam tão boas, e por isso os recursos extras para conservar nossa atenção. Mas como la vie en close c´est une autre chose, talvez possamos perceber que, não importa os fatores, uma boa música nunca deixa de ser boa música, e uma interpretação louvável nunca perde seu valor.

Existem certos critérios, mais ou menos visíveis, que nos permitem constatar um verdadeiro cantor. E precisamente esse é o ponto: uma bela cantora nem sempre é uma cantora bela, por mais que tentemos esconder a música no meio de uma bunda. Mas existe alguma bela cantora feia? Estranho é colocar o atributo “feiura”, quando se admite estar na frente de uma bela cantora. Estranho é colocar a bunda na balança: desde quando ela melhora a interpretação? Enquanto prevemos a resposta, abaixo algumas interpretações de uma certa voz de diamante:

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3 comentários em “Pelas cantoras feias

  1. O Pop de hoje não é voz ou letras boas.
    Nem a música de hoje é mais letras e voz.
    Existem poucas exceções em cada um dos ritmos…
    Mas a grande maioria perdeu conteúdo, substância…

    Isso é no minimo triste de se dizer ou constatar!

  2. Interessante reflexão, Catatau.

    Quando vejo uma dessas cantoras da moda em um dos seus clipes de hiperexposiçãosexual, em que elas usam a sexualidade como uma arma, não consigo ver uma cantora. Sempre vejo uma boneca inflavel se mexendo na tela.

    Um abraço

  3. Pingback: Catatau via Rec6

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