Sobre a investigação de Ribas Carli Filho

O presente texto se atualiza conforme novas informações (Confira abaixo).

Sobre o acidente envolvendo duas vítimas e o deputado estadual paranaense Fernando Ribas Carli Filho (cujo velocímetro do carro blindado travou em 190 Km/h, embora o delegado contestou as informações dadas pelas testemunhas visuais), o Fabio Campana vem acompanhando de perto:
 
Vinculou um texto da Gazeta do Povo, mostrando que das 30 multas já aplicadas ao Deputado, 23 foram por excesso de velocidade (130 pontos ao todo), e o mesmo deputado dirigia com a carteira cassada;
 
Segundo outro vídeo gravado na hora, os carros se envolveriam em um racha, embora um dos carros pararia a 100 metros do outro;
 
Conforme o advogado da familia de uma das vítimas, em situação semelhante o deputado receberia voz de prisão, além de ter uma amostra de sangue retirada para exame, fatores que não ocorreram (embora as duas vítimas fatais tiveram amostras retiradas);
 
Ainda (para além da cobertura de Campana), não apenas segundo o advogado, mas também conforme testemunhas, o carro do deputado literalmente decolou, arrancando o teto do honda fit e atingindo as cabeças dos ocupantes;
 
E o pai de uma das vítimas, Gilmar Yared, enviou uma carta acusando diversas irregularidades na cobertura midiática e nas investigações, conforme o tom abaixo:
Vejo o Poder Publico sendo colocado a disposição do deputado para diminuir as evidências deste crime.
No posto de gasolina onde praticamente tudo começou, o frentista revelou que no dia seguinte onde nós
chorávamos a morte de meu filho ,os advogados do deputado já estavam trabalhando recolhendo evidencias.
Conversando com o frentista o mesmo comentou que ouvindo a conversa deles, afirmavam que o deputado
estava embriagado. No Hospital Evangélico enfermeiros comentam de que foi encontrado cocaína em seu sangue e tudo sendo escondido pelas autoridades, médicos e imprensa.
Além do tom acima, ele nota como estranhamente seu irmão, o apresentador de TV Jorge Yared da Educativa, foi afastado provisoriamente da TV estatal.
 
Na Assembléia Legislativa do Paraná, para além de certas "práticas" nem tão públicas assim, o único deputado que se manifestou publicamente foi Tadeu Veneri, pedindo "explicações racionais" e solicitando "tratamento não diferenciado". No meio tempo, a polícia recebeu imagens de radares próximos ao acidente.
 
Difícil comentar tudo isso. Mesmo recuando o máximo e adimitindo pontos da defesa do deputado, não saltam aos olhos graves contravenções? Receberá esse deputado tratamento diferenciado?
 
Um indivíduo com carteira cassada, dirigindo em alta velocidade, sabe das consequências e riscos possíveis, e se não fosse um deputado as respostas seriam evidentes. 
 
***
 
Buscando no Blogsearch, encontram-se as seguintes informações sobre Carli Filho: eleito o deputado mais novo do Paraná, com 23 anos, teve a candidatura investigada, por "supostos" formulários distribuídos a funcionários da Secretaria de Educação de Londrina, relativos a prováveis eleitores. Durante o mandato, foi acusado de nepotismo (por empregar o irmão), votou a favor do aumento da aposentadoria dos deputados estaduais, e se posicionou contra o fim da remuneração extra a parlamentares convocados em ocasiões extraordinárias durante recesso parlamentar. Também foi contra a proibição de repasse de recursos públicos para emissoras de comunicação privadas (e a fonte manifesta que seu pai é dono de uma rádio).
 
Manifestou-se contra outro deputado (Luiz Claudio Romanelli) sobre passar  em praças de pedágio sem pagar, alguns meses atrás. Seu "último ato" foi favorável a um reajuste maior do que 6% ao funcionarismo público paranaense. Outro informe (exceto todos os outros do blogsearch, sobre o acidente) comenta sobre número de votos nas últimas eleições.
 
Para além da cobertura, suas ações efetivas na assembléia são divulgadas nas páginas do deputado, e na atividade parlamentar. Vale visitar também o Transparência Brasil.
 
***
 
(13/5) Diversas testemunhas afirmam que o deputado estava embriagado. O delegado responsável pelo caso, Armando Braga, foi desmentido pelo Hospital Evangélico. Ontem  ele teria declarado já pedir exame de dosagem alcoólica ao Hospital, fato que a diretoria não confirma. O pedido apenas chegou hoje à tarde ao hospital.
 
O delegado teria sido desmentido também por Luiz Fernando Carazzai, médico do Hospital das Clínicas, devido a uma alegação de que não foi feito exame de sangue no local pela medicação de socorro "mascarar" o resultado.
 
Um documento apresentado em programas de TV, feito por socorristas e enfermeiros na ocasião da batida, afirma que Carli Filho teria "hálito etílico", algo que confirma os depoimentos mencionados acima. Segundo Campana, tal parecer configura, no Código de Trânsito, prova suficiente em caso de crime.
 
A família de uma das vítimas pediu a cassação de mandato do deputado. Um pedido já circula na Corregedoria da Assembléia.
 
O jornal Bem Paraná classificou uma notícia de "irônica" (na linha da observação do Meandros): Ribas Carli Filho teria proposto uma lei  (155/2007) que beneficia o "bom motorista", reduzindo o IPVA.
 
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(14/5) O política em debate comentou que a repercussão nacional do caso Carli Filho pegou os deputados paranaenses desprevenidos. Eles estariam "assustados" com a grande amplidão do affair.
 
Ontem Fabio Campana publicou uma declaração de Nelson Justus, presidente da Assembléia, onde ele se manifestaria contra os "exageros" feitos no caso. Dado que "exagero" se referia à grande repercussão, unida à suspeita pública de que a investigação foi mal conduzida e com tratamento diferenciado, Justus retificou a declaração (geradora de diversos comentários a contestando, sendo depois apagada do blog de Campana) e voltou atrás: segundo ele, "a assembléia não será conivente com a impunidade".
 
Hoje a RPC também manifestou que não apenas o caso Carli Filho, mas a própria Assembléia paranaense, ficou em evidência. Ontem Justus encaminhou representação ao corregedor da Assembléia, o deputado Luiz Accorsi (PSDB), e garantiu que "imediatamente" Carli Filho seria notificado. E "solicitou ainda ao corregedor-geral, para a manhã desta quinta-feira (14), do despacho dos procedimentos legais a serem adotados no caso". Entretanto, já ontem Luiz Accorsi desapareceu, desligando até mesmo o celular. Não apareceu também hoje, e de manhã Carli Filho não foi notificado.
 
Os próprios deputados tem dúvida sobre como conduzir um processo de cassação como esse. É a primeira situação dessa espécie na ALEPR. Apenas na segunda-feira os deputados da comissão de ética (presidita por Pedro Ivo, do PT) se reunirão, para deliberar os primeiros trâmites. Uma vez deliberado o processo de quebra de decoro parlamentar a partir dessa reunião, a comissão de ética tem  prazo de 90 dias (prorrogáveis) para emitir juízo sobre a cassação. Se o juízo for pela cassação, esta se votará em plenária.
 
Nesses termos, abriu-se uma polêmica sobre a licença concedida ao deputado (de 60 dias, prorrogáveis para 120).  Sua defesa poderia atravancar o processo, dada a licença? Segundo Pedro Ivo, o que define se o deputado pode se defender é o parecer médico, e não a licença (link acima). Mas ele não afirma isso categoricamente, diz apenas que "há discussão". Já a família Yared (de uma das vítimas)  contestou a licença. Segundo o advogado da família, a licença deveria ser deliberada pelo Plenário, e apenas comprovando  documentalmente o estado de saúde do deputado. A família ainda acionará a justiça para julgar duplo homicídio doloso.
 
A RPC manifestou, muito precisamente, como, "em um momento como esse" de grande impacto popular, a maior parte dos deputados não apareceram em plenária. Algo que contraria as palavras dos próprios deputados, quando deliberam "imediatez" dos procedimentos, ou dizem que tudo se fará com "muito cuidado" (sic).
 
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(15/5) A família Yared contestou também os pareceres médicos do hospital evangélico.
 
O promotor do MP encarregado do caso afirmou dois pontos evidentes: o consumo de álcool pelo deputado, e a alta velocidade durante o acidente. Baseia seu juízo com testemunhas e vídeos.
 
O PSB-PR, declarando “despreparo e irresponsabilidade do deputado, motivando revolta e repúdio da sociedade e, a condenação da opinião pública, com repercussão negativa ao PSB, inclusive em nível nacional", ameaça desligar o deputado do partido, pedindo esclarecimentos.
 
Uma testemunha, das primeiras a chegar no local do acidente, procurou jornalistas, e comentou sobre Carli Filho estar consciente e conversando durante todo o socorro. Chamou também atenção à velocidade excessiva, mais de 150 Km/h.
 
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(17/5) Ontem o Hospital Evangélico se manifestou sobre o caso Carli, divulgando os procedimentos adotados no atendimento. Informou também quando foi acionado para fornecer a amostra de sangue para exame da justiça. 
 
A Gazeta do Povo acessou o inquérito, e divulgou alguns depoimentos que reforçam a tese da embriaguez. E comentou também sobre a lei, incrivelmente branda em tal tipo de situação (não poderíamos imaginar a situação contrária, e pensar nos dois jovens em alta velocidade, e sem permissão para dirigir, após consumo provável de álcool, matando o deputado? Que respostas teríamos?).
 
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(18/5) Enfim, algumas das teses principais da família Yared se confirmaram, além do fato da carteira suspensa: o deputado estava embriagado, contendo na amostra 7,8 decigramas de álcool por litro de sangue, quatro vezes mais do que o índice mínimo permitido. Imagens de câmeras da região, unidas às testemunhas, comprovam também a alta velocidade.
 
Além da mãe, o pai de Carli filho também já se pronunciou publicamente.
 
Resta acompanhar de perto o andamento da cassação na Assembléia. São lamentáveis os eventos ocorridos, e também a maneira pela qual a Assembléia Legislativa do Paraná recebeu visibilidade, nos últimos dias. Contudo, todo o caso diz muito mais do que apenas um problema localizado de trânsito, ou o problema geral "dos jovens" no trânsito. Caso se possa  enxergar e  continuar problematizando, no meio disso tudo, as relações entre a Assembléia e o público, todo esse alarde não será em vão.
 
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(19/5) Veja só: nós aqui pensando em bom senso, e eis que pode ir tudo por água abaixo.
 
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(20/5) A mãe de Gilmar Yared, Cristiane de Souza Yared, falou hoje no programa da Ana Maria Braga. Deu recado, apesar do evidente despreparo da apresentadora para a entrevista. Zé Beto já chamou a atenção a algo muito importante, que motiva as falas públicas de Cristiane:
Cristiane de Souza Yared, mãe de Gilmar Rafael de Souza Yared, um dos mortos do acidente provocado pelo deputado Fernando Ribas Carli Filho (PSB), acaba de ser entrevistada por Ana Maria Braga, para todo o Brasil, no programa “Mais Você”, da Rede Globo de Televisão. De certa forma essa é uma resposta para dois recados que a família recebeu recentemente. Um, durante a Marcha com Jesus, no sábado passado. O irmão de Cristiane, que é pastor, ouviu de um poderoso do Palácio Iguaçu o conselho para que ela falasse menos. O primo-irmão de Gilmar Yared, o famoso cardiologista Gilson Yared, recebeu telefonema de um deputado do PMDB, também poderoso, que recomendou a mesma coisa.
E o Rodrigo Stulzer divulgou um abaixo-assinado, com o intuito de mobilizar a Assembléia em favor da cassação. 

12 comentários em “Sobre a investigação de Ribas Carli Filho

  1. Diz o site do deputado: “é de sua autoria o projeto que concede redução no IPVA para motoristas exemplares (sem multas)”. Parece que ele não pagava IPVA, suas próprias multas e tampouco é o que podemos chamar de exemplar.

    Sábado às 8h vai ter um protesto saindo da Santos Andrade.

    RE: O Bem Paraná classificou isso muito bem de “ironia“.

  2. Cada um que votou no referido deputado deveria prestar uma homenagem as crianças que morreram. Já que com o seu voto deram a possibilidade do jovem deputado a andar de carro importado a 200 Km/h, beber garrafas e mais garrafas de vinho importado, possuir privilégios de andar com a carteira cassada e agora ser julgado em foro especial. Vamos eleitores do deputado Luiz Fernando Ribas Carli Filho colocar uma rosa no tumulo destas crianças.

  3. Ácho bom que se ressalte que o deputado Ribas Carli e do PSDB enquanto que o Tadeu Veneri e do PT.

    A imprensa burguesa tentou ocultar a tragédia, mas acima de tudo ocultou o partido…

    Diga-me com quem andas… As companhias do Ribas Carli são essa gente do PSDB!!!

  4. Muito boa esta sua cobertura.Obrigado por conseguir falar isto em um tom muito sereno.

    Eu queria escrever algo, mas a raiva, o conhecimento da impunidade e o poder do dinheiro me lembram a toda hora que isto é mais um caso que será abafado.

    Preferi calar-me. Sinto muito pela família dos jovens assassinados pelo deputado, mas não acredito na justiça deste país. Lamento muito.

    RE: Olá Renato!
    Aí que está: tudo o que devemos evitar é nos calar. Mesmo que se diga que os resultados não são tão evidentes. Se quando nos calamos o resultado é evidente, deve haver alguma coisa quando não nos mantemos calados
    😉 😉 😉

  5. Estão fazendo correntes de email para colher assinaturas para a cassação do deputado.

    Este negócio de colher assinaturas por email, infelizmente, não funciona. Pois cada um manda para mais 20, e nunca se vai se quebrando, como se tirasse vários Xerox do papel. Daí alguém teria que juntar tudo e arrumar.

    Assinaturas por email ou no Orkut não funcionam. Para isso tem o site de Petições Online. Daí vai funcionar e ficar tudo no mesmo lugar:
    http://www.PetitionOnline.com/pcmdfrcf/petition-sign.html

    Se você puder divulgar, seria legal.

  6. Em uma conversa informal com um pessoal de Pitanga – PR (região de Guarapuava), foi-me dito que na rádio da família do indecoroso deputado, quando do sinistro, foi divulgado que o indecoroso havia sofrido um acidente. E, inclusive, que era para que todos viessem a orar por ele.

    Isto durou até o momento em que a notícia tomou rumo maior. Ou seja, quando ganhou proporções nacionais, a rádio não mais se pronunciou sobre o fato.

    Até que ponto tal notícia é verídica, não sei. Sei que é no mínimo conveniente o ocorrido. Creio que não preciso comentar o(s) motivo(s).

    Sei que é necessário que sejam realizadas todas as investigações de forma limpa.

    Encobrir tais atrocidades para quê? Todos sabemos que há sujeira no sistema. Para se limpar tal sujeira, precisamos juntar o lixo e retirá-lo, jogá-lo fora. Agora, quando disfarçamos a sujeira, ou é porque somos parte desta mesma sujeira, ou porque somos “porcos”.

  7. Se estava drogado, embriagado, entorpecido ou o diabo-à-quatro, foi irresponsável de dirigir nete estado. Se estava sóbrio, deve ser mais punido ainda pois fez uma imbecilidade colossal em plena consciência. E agora ele é um coitadinho. Coitados de nós, cidadãos normais sem mandato que corremos risco de atropelamento por cretinos políticos…

    Ele deve ser punido por ser um monstro atroz para a sociedade.

    E os pais dele deveriam receber um tratamento pois devem ter algum desvio mental extremamete grave em incentivar um elemento monstruoso desses.

    RE: Com a ressalva de que a bebida é um agravante, Rodrigo, e não um atenuante. Se alguém bebe, escolheu deliberadamente beber. Estava ciente das consequências possíveis de beber.

  8. Ja vai para 2 anos e nada aconteceu com esse degenerado que matou duas pessoas. Do jeito que as coisas vão com a nossa justiça, é de pasmar que não tenha se candidatado a algo nestas eleições, porque teria ganho com mais votos do que o Tiririca. Nelson Justus que o diga…

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