Os livros queimados de Hitler

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Alguns dias atrás o FARRA (sempre ele!) publicou o raro documentário Mein Kampf, de 1961, com imagens – hoje difundidas – até então conservadas em arquivos alemães.
 
O documentário mostrava algumas "leituras" de Hitler, bem como ressaltava os fatos  de sua incompetência individual  em diversas áreas.
 
Mas como ninguém faz nada sozinho, o documentário mostra também as chocantes cenas da juventude queimando livros mal quistos pelo regime, há exatos 76 anos, em meio à frase de Heinrich Heine: "Onde se queimam livros, acaba-se queimando pessoas."
 
Entre os livros queimados e os mal lidos, Timothy Ryback publicou recentemente "A Biblioteca Esquecida de Hitler" (pesquisar preços ou comprar). Entre as leituras,  destaca-se Henry Ford, como se pode ver em uma recente entrevista (via Campana):
Como o senhor explica que, sendo Hitler um bibliófilo, tenha patrocinado bárbaras investidas contra livros, a ponto de queimá-los? Afinal, acreditamos que nos tornamos melhores porque lemos, e esse não parece ter sido o caso do ditador. 
 
Ryback – É uma grande ironia que Hitler tenha subvertido essa máxima. Voltando um pouco a Walter Benjamin, que defendia sermos o resultado dos livros que lemos e também dos que não lemos, devo dizer que Hitler deve ter lido sem ter compreendido alguns filósofos que dizem ter feito sua cabeça, como Schopenhauer, Fichte ou Nietzsche. Posso seguramente afirmar que ele fez uma leitura superficial de tais pensadores . Ele entendia mais as diatribes de Henry Ford e Madison Grant. O que choca justamente é que ele se interessava apenas pela instrumentalização da filosofia, aproveitando as idéias nacionalistas de Fichte, cujos livros, encadernados com letras em folha de ouro, foram apresentados a Hitler por Leni Riefenstahl. Isso sempre me intrigou. Por que Leni Riefenstahl teria escolhido um filósofo do século 19? Nem ela mesma se lembrou quando a entrevistei. Sabia apenas que foi um presente ao Fuhrer em 1933. De qualquer modo, encontrei um único volume de Schopenhauer e outro de Nietzsche entre os livros que restaram de sua biblioteca. Ela lembra de ter ouvido de Hitler que ele não conseguia aproveitar muito do que Nietzsche escrevera.
Mais ou menos como o NYT já alertava em 1922:
 The wall beside his desk in Hitler’s private office is decorated with a large picture of Henry Ford. In the ante-chamber there is a large table covered with books, nearly all of which are a translation of a book written and published by Henry Ford. If you ask one of Hitler’s underlings for the reason of Ford’s popularity in these circles he will smile knowingly but say nothing.
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Um comentário em “Os livros queimados de Hitler

  1. “Voltando um pouco a Walter Benjamin, que defendia sermos o resultado dos livros que lemos e também dos que não lemos”, muito bom!

    Um texto para refletir um bocado.

    Talvez possamos dizer que por trás de grandes homens, provavelmente haverão bons livros. E que por trás de grandes vilões há uma pessima interpretação do mundo.

    RE: Creio que vá por aí mesmo, Marcela. Não há bom livro que conserte más disposições de interpretação…

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