Fazer desfazendo

Dia 9 de agosto o Senador José Agripino (DEM-RN) escreveu em seu twitter:

O Senado está completamente anestesiado pela crise. A licença do presidente Sarney seria um bálsamo http://migre.me/4Unl

O Catatau então perguntou: "A licença de Sarney resolveria uma crise que é do Senado?" A resposta veio da "equipe Agripino":

A renúncia de Sarney da Pres. do Senado seria o início para começarmos a apuração das irregularidades que pesam sobre a casa.

Essa resposta é muito interessante porque não diz respeito apenas à posição de Agripino, mas a vários outros senadores e à dita "opinião pública". Até Sarney declarou alguns dias atrás que seria um absurdo ele cometer irregularidades apenas após a velhice. Ou a crise é do Senado inteiro, ultrapassando o "mero" caso de um velhinho chamado Sarney, ou há algo estranho, e esse excesso de oneração de Sarney não passa de algum jogo estratégico para outros objetivos. Após a resposta da "equipe Agripino", fizemos outra pergunta (passada em branco): "E porque apenas agora? Com a renúncia de Sarney há alguma garantia de investigações "em toda a casa"?"

No meio da "crise", a fala de Agripino dizia respeito a um "mal estar". Este aspecto, não outro,  moveria as investigações de Sarney. No tom do mal estar, não disse Paulo Duque (PMDB-RJ) que nomeação política existe "desde que o Brasil é Brasil", e ele mesmo já teria empregado mais de 5000 pessoas? "O empreguismo tem que ser elevado. Eu já contratei parentes quando podia".

Após arquivar 11 representações contra Sarney, Duque arquivou ontem uma contra Arthur Virgilio, com uma declaração muito curiosa:  “os fatos relatados [na representação] não configuram ilícito ou já tem extinta a sua punibilidade” (dado o ressarcimento dos gastos por Virgilio). Ou, dito de outro modo, existem situações onde certos brasileiros podem "fazer desfazendo", relativizando sua responsabilidade sobre um ato anteriormente punível. É princípio "legal" – ninguém, todos dizem, fez acordão.

Daí, em um clipping de Pax contendo esta última frase de Duque e o caso Virgilio, uma formulação perfeita:

Quando todos os senadores dizem que não houve um acordo geral no Senado para abafar os escândalos generalizados de corrupção, tudo indica que houve: Sarney pode empregar toda sua clã e Virgílio pode mandar assessor estudar teatro na Espanha. O povo que pague as contas calado.

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