A Biblioteca Universal, universal e privada

[Illustrations de Les Commentaires de Jules César.] / [non identifié] ; Jules César, aut. du texte
[Illustrations de Les Commentaires de Jules César.] / [non identifié] ; Jules César, aut. du texte
Source: Bibliothèque nationale de France

Essa semana circula a notícia: a Biblioteca Nacional da França provavelmente disponibilizará parte de seu acervo para digitalização no Google.

A mudança de estratégia da BNF deve-se, particularmente, aos custos da digitalização de todo o seu património, que o Google comparticipará no âmbito do projecto.

“Nós não vamos parar o nosso próprio programa de digitalização, mas se o Google nos permite ir mais longe e mais rapidamente, porque não?”, apontou Bruckmann, que também é director das colecções da BNF. [Publico]

A BNF tem feito alguns movimentos controversos. Em primeiro lugar, seu setor responsável pelo acesso digital, a Gallica, disponibilizou uma versão Beta, com diversas alterações. Algumas com função duvidosa: além de dificultar as buscas, a versão Beta também disponibiliza livros, muitos livros com acesso restrito. Deve-se pagar.

Na contrapartida desse aspecto restritivo, a Gallica fez parceria com um grande portal europeu, o Europeana, divulgado aqui. Trata-se de uma belíssima medida, agregando muitas bibliotecas, em uma "central" de conteúdo digital.

O Europeana, junto com outras medidas, é uma espécie de movimento de reação ao Google Books. Sob a alçada de uma única corporação, o Google Books agrega, com suporte financeiro, um grande número de bibliotecas virtuais. Por exemplo, desde alguns meses o GB aumentou o número de recursos para manipular edições gratuitas, bem como o acervo. O portal distribui tanto conteúdo restrito (pago), quanto edições gratuitas.

A ameaça do Google é óbvia: no momento em que se concebe a criação efetiva de uma biblioteca universal, concederíamos todos os meios a uma única iniciativa, ainda mais corporativa? 

Nesse tom, a Deutschewelle denunciou uma ameaça de "americanização" da cultura européia. Pierre Assouline diz muito bem que a iniciativa do Google não é desinteressada. A Veja da semana, previsivelmente, identificou os interesses universais do homem à "universalidade" do Google.

O Guia Global publicou o texto: "O Google poderá criar a maior biblioteca privada da História". Com seus 10 milhões de digitalizações,  já criou. Por fina ironia, a Biblioteca é Universal, e é Privada.

 

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3 comentários sobre “A Biblioteca Universal, universal e privada

  1. Não fora essa iniciativa do GOOGLE,pela internet, corre-se o risco de mantermo-nos na insossa informação midiática. A mídia,que se está esfalfando para manter-se dona de informações alienantes das gentes,não o conseguirá , caso tenhamos acesso livre à inteligência vera da humanidade.Basta de superficialidades,de considerações que servem às pequenas curiosidades.Seja o Google abertura para que obras significativas cheguem aos homens do planeta todo. Medina.

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