Psicólogos, médicos e torturadores

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Em 2006 Michael Winterbottom lançou um documentário muito bom, chamado Road to Guantanamo. Conta a história de três jovens paquistaneses, confundidos com "terroristas" durante todos os humores aflorados depois do 11 de setembro.
 

Uma das maiores curiosidades do filme – e do que ele representa – são os métodos de tortura. Mais do que métodos físicos, os torturadores empregavam sobretudo métodos "morais" – para utilizarmos a antiga distinção da psiquiatria do século XIX entre terapias "físicas" e "morais". Métodos "morais": modos de constranger não apenas o corpo, mas a mente dos prisioneiros, para atingir os fins esperados.
 
Quando a tortura é apenas "física", supõe-se a informação em troca da dor, como numa espécie de desafio sobre a resistência do prisioneiro. Mas quando ela é "moral", os mecanismos para atingir o corpo e gerar stress são muito mais calculados, esquadrinhados, especialmente para que o corpo do prisioneiro, apesar de grande pressão, não seja "corrompido".
 
Por exemplo: permanecer durante 20 horas agachado, com as mãos amarradas no chão e atrás dos calcanhares, em situação de desequilíbrio constante, recebendo estímulos visuais e auditivos discrepantes em um quarto escuro.
 
O filme do Winterbottom é recomendadíssimo. Ainda mais após o informe do Scientific American (via Animot) sobre técnicas de tortura desde o 11/9, com envolvimento de profissionais de saúde. Ou eles se envolviam diretamente na tortura, ou apenas para maximizar o cálculo, "sanitarizar" ou "calibrar" o uso.
Profissionais de saúde se envolveram em cada estágio no desenvolvimento, implementação e legitimação do programa de tortura.
Inclusive – isso é ainda mais surpreendente – documentos da CIA empregavam termos bem caros aos psicólogos, como "desamparo aprendido":
O objetivo do interrogatório é criar um estado de desamparo aprendido e dependência orientada aos fins da inteligência
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