Camponeses e Impérios Alimentares

http://img32.imageshack.us/img32/3277/arton3856048f.jpg Divulgamos abaixo o informe de um livro interessante: Camponeses e Impérios Alimentares: lutas por autonomia e sustentabilidade na era da globalização, de Jan Douwe Van der Ploeg (pesquisa de preços e link na Cultura). Trata-se de um estudo feito em três países, industrializados e não industrializados, sobre as relações entre agronegócio e agricultores.

Na verdade, o estudo parece ter consequências maiores, dada sua duração (30 anos!), e o debate contemporâneo sobre transgênicos, agronegócio, combustíveis alternativos, movimentos sociais e soberania alimentar.

 A resenha é de  Eric Sabourin. No original, e em português.

O livro de Jan Douwe Van der Ploeg analisa a situação, o papel e o sentido da situação camponesa num contexto de globalização, em particular aquele dos « impérios » dos mercados agrícolas e das multinacionais da agroindústria. Defende a existência de uma condição camponesa caracterizada pela luta para a autonomia, mediante a autogestão de recursos compartilhados e de iniciativas associativas. Esta condição camponesa leva a adotar ou a adaptar um modo de produção camponês fundamentalmente diferente daquele da empresa agrícola ou do agronegócio (cf Ploeg, 2006).

A argumentação baseia-se em três estudos longitudinais (sobre 30 anos) no Peru, na Itália e nos Países Baixos, que oferecem um material original em situações contrastadas em matéria de desenvolvimento rural e de evolução das estruturas agrárias.

O autor mostra como as agriculturas familiares do Norte e do Sul confrontadas à dependência crescente de mercados globalizados adotam ou re-atualizam formas de resistência ou de distanciação da lógica produtivista e mercantil capitalista. Os novos impérios são, entre outros, as firmas transnacionais que praticam um capitalismo selvagem particularmente agressivo, inclusive nos países industrializados (ver as relações das grandes centrais de compra das redes de hipermercados com os agricultores) e predador de recursos naturais.

Essas diferentes práticas de resistência caracterizam segundo o autor, um processo de reconstrução do campesinato ou de « recampesinização » (cf Ploeg, 2006), inclusive em países europeus industrializados, onde as sociedades camponesas tais como descritas pela antropologia (Wolf, 1966) ou pela sociologia (Mendras, 1976, 2000) têm desaparecido.

Por outra parte, Ploeg considera que esse processo constitui uma das alternativas as crises econômicas, sociais, alimentares e ecológicas as quais conduz inevitavelmente a globalização capitalista dos mercados e dos sistemas de produção agrícolas. [continua…]

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