Quando a Filosofia não é para todos

Já apresentamos ao público brasileiro o caso do argentino Horacio Potel. Professor de Filosofia, ele organizava e divulgava textos filosóficos de Nietzsche, Derrida e Heidegger há mais de 10 anos. Criou três sites, publicando e reunindo textos difíceis de encontrar de outra forma (tanto em termos de acesso, quanto de edições disponíveis, traduções e material). Mas após uma ação iniciada pela editora francesa Minuit, os sites sobre Derrida e Heidegger foram proibidos por questões de "direito autoral", restando online apenas o de Nietzsche.
 

É lugar comum o quanto essa ação da Minuit é ridícula. Muitos já comentaram isso. Qualquer um sabe que a divulgação online de textos é um recurso a mais para sua obtenção, e se buscarmos uma moral para a "história", Potel fazia propaganda para os editores sem cobrar.
 
E outra: condenar Potel apenas fez a visibilidade de seus textos se multiplicar, evidenciando o claro desconhecimento das editoras sobre como se comporta a internet. Um exemplo? Ninguém ousou processar a Wayback Machine. Mas todos os textos estão lá. Sem contar que muitos outros sites e internautas passaram a compartilhar o mesmo conteúdo, multiplicando as fontes.
 
Mais do que inibir, o resultado da ação da Minuit foi multiplicar as fontes de acesso, na Argentina e fora dela. Além do mais, tal critério de "inibição" mostra um claro desconhecimento tanto de web, quanto de negócio mesmo.
 
Tudo isso (uma introdução prévia para aclarar a memória e também para os leitores de Pandorama) para divulgar um recente texto do Página 12 sobre o caso(via desobediente). Acusado de atentar contra a "ordem pública", Potel sofreu vários constrangimentos, até ser multado.

El profesor Horacio Potel acaba de ser procesado por haber subido a Internet textos filosóficos que en muchos casos era imposible conseguir en librerías argentinas. La justicia penal consideró que la publicación de estas obras en bibliotecas digitales gratuitas atenta contra el orden público, y le dictó al docente un embargo de 40.000 pesos, amén de haber amenazado meses atrás con la intervención de su teléfono y el allanamiento de su domicilio.

Se espera que una apelación de la defensa abra una nueva instancia del pleito. De todas maneras, los fantasmas de una condena injusta siguen rondando. El calvario comenzó con una queja de la editorial europea Les Editions de Minuit, que posee derechos sobre una parte de la obra de Derrida. La empresa consiguió el apoyo de la embajada francesa, y la Cámara Argentina del Libro se sumó al ataque. La ecuación es simple: jacquesderrida.com.ar y heideg geriana.com.ar se habían convertido en referencias para aquellos que pretendían indagar en esos pensadores y no tenían plata. Hoy esas fuentes ya no existen. La ley ordenó darlas de baja. “Estoy bastante shockeado –se sinceró Potel en una conversación con este diario–. Las medidas tomadas demuestran que quienes deciden sobre el asunto recaen continuamente en imprecisiones y no entienden nada de tecnología. Me siento perseguido.” [Cuando la filosofía no es para todos]
No blog, Potel não deixa de resistir:
Hipertexto de hipertextos, texto en construcción continua, texto sin autor, la Web es una maquina hiperdiseminante. Como sabemos, según Derrida, recientemente censurado en nuestro país, el texto singular se independiza desde siempre de su supuesto autor para devenir máquina productora, diseminante del sentido, separada de la conciencia y por tanto de las intenciones y de la plenitud del querer-decir de éste, y de cualquier otro que quiera erigirse en el dueño, o el restaurador de un supuesto sentido originario. La Web, la tela de araña, siempre estuvo implícita en el concepto de escritura.
 
(…) El copyright tiende a concentrar, a través de la privatización, el control de la herencia cultural en manos de un número cada vez menor de propietarios privados. El copyright es la forma que tienen las corporaciones que fabrican libros de papel de apropiarse de la creación de los autores para su pura explotación mercantil, de manera tal que priva a todas las demás corporaciones editoras, incluido el autor, de la posibilidad de reproducir su propia obra. (…)
Cabe multiplicar o caso por aqui, em apoio a Potel, mas também dentro da discussão brasileira. Muitos, especialmente políticos com vínculos duvidosos e muito interessados em assunto semelhante, seguem nessa direção.
 
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4 comentários sobre “Quando a Filosofia não é para todos

  1. Pobre Potel. Eu sempre me perguntava como diabos ele não tinha rodado ainda com um site tão completo, e com aqueles textos do derrida que aparentemente eram vazamentos da própria minuit (o *.pdf era o da gráfica). Acho que isso pesou na hora da editora entrar com a ação.

  2. Gosto de filosofia deste que fiz uma cadeira de filosofia da religião dada pela professora Marisa Espada. Esta senhora, uma jovem cheia de vida, dava as suas aulas ouvindo os alunos. Fez-nos sentir a filosofia não apenas como disciplino pensamento, mas como sentido do instinto.
    João Paulo

  3. Eu adorei filosofia a partir nesse momento, porque a filosofia tem muito haver com quem a profere. A professora Marisa Espada é exemplar a conquistar os aulos, ninguém pode ficar indiferente as suas palavras. elas despertam-nos para coisas que nunca pensamos ouvir, ou somente ousamos pensar.
    Daniela Fialho

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