O governo de fato do Afeganistão

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O enviado especial da ONU ao Afeganistão, Kai Eide, afirmou hoje que houve uma "fraude generalizada" nas eleições presidenciais de 20 de agosto, embora não tenha determinado seu alcance.

Em entrevista coletiva em Cabul, o chefe da missão da ONU no Afeganistão (Unama) admitiu que o processo eleitoral foi "difícil, com muitos problemas".

"O alcance desta fraude está sendo analisado agora. Não há forma de saber neste momento que nível de fraude houve. Só posso dizer que foi uma fraude generalizada", declarou.

O diplomata norueguês afirmou que "qualquer dado concreto" que apresentasse agora sobre o impacto da fraude no resultado eleitoral seria "pura especulação", já que, nos últimos dias, a Comissão Eleitoral começou a fazer uma recontagem parcial dos votos por causa das denúncias de irregularidades.

Os resultados provisórios, anunciados em setembro, deram ao atual presidente, Hamid Karzai, uma vitória folgada. Mas a nova apuração deve resolver as irregularidades em mais de 10% dos colégios eleitorais.

A missão de observadores da UE enviada para acompanhar a eleição afegã anunciou no mês passado a identificação de 1,5 milhão de votos "suspeitos", dos quais 1,1 milhão favoreceriam Karzai. EFE

"It´s all about Oil", dizia Robert Fisk em A Grande Guerra pela Civilização (preços). Ou também ele se referia ao curioso voto "étnico" dos afegãos, que não parte das mesmas premissas de uma sociedade democrática de maiorias. Ou talvez parta, mais no sentido das "maiorias" do que da "democracia".

Em agosto já se desconfiava das articulações de Karzai com outras forças políticas (e militares) afegãs, para compor um esquema maciço de fraude. Pelo visto, concretizado.

Karzai foi reeleito. Mas estranhos mesmo são os diferentes pesos e medidas conferidos às fraudes, reeleições e governos, de fato e de direito. Durante 2009, certamente vimos diferentes valores atribuídos às discussões sobre a reeleição na Colômbia e em Honduras, de um lado, e no Irã e Afeganistão, de outro.

Tem-se por aí o hábito irrefletido de tomar imediatamente partido, segundo crenças estereotipadas e relativizadas. Como se pensar fosse um problema. Especialmente quando se fala em legalidade, é indispensável pensar, e se perguntar onde pesos e medidas foram diferentes.

***

Nesse contexto, está imperdível o blog de Steve McCurry.

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3 comentários em “O governo de fato do Afeganistão

  1. De minha parte eu acho interassantíssimo essas fraudes, principalmente “generalizadas”, em pasíses islâmicos.

    É que eu ouvi mutios brasileiros dizerem que o Brasil deveria adotar os costumes dos países árabves. Entre outras coisas, ouvi que “lá se a gente perde carteira cheia de dinheiro, o pessoal sai correndo atrás da gente para devolver”.

    Pois é, e lá tem “fraudes generalizadas” em eleição.

    É algo que muitos brasileiros acharão estranho.

  2. É a tal questão de impor democracia no fio da espada. Acaba dando nisso.

    A solução? Se soubesse estaria sentado em cima de uma fortuna.

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