“Tática de guerra política”

 
imagem daqui
 
Na mesma semana em que o governo de Obama acusa a Fox News de ser um braço do partido republicano (se não é um braço, não se pode negar sua aprovação incondicional às políticas do governo Bush, especialmente as belicistas), o Brasil discute sobre uma provável CPI do MST.

 
Anteriormente descartada por falta de assinaturas, há quem almeja agora, depois do caso da Cutrale, reativar a idéia.
 
Em outras ocasiões, este blog já fez uma crítica muito precisa ao Movimento: suas ações, muitas vezes, não consideram os efeitos, as consequências, especialmente as midiáticas. Não no sentido de que as ações são desastradas ou inconsequentes, mas em outro bem preciso: mesmo quando age conforme seus princípios o MST é criticado duramente pela imprensa.
 
Para isso, basta ver o simples exemplo de uma passeata em qualquer capital. Qual é a cobertura? Certamente, não a que trata de uma passeata pela reforma agrária, reivindicações e afins. A manchete é quase invariável: "Passeata do MST atrapalha o trânsito na cidade". Como se não existisse mediação possível, apenas a manifestação de um corpo estranho, de repente invadindo a cidade.
 
Ou senão veja-se, em um contexto bem diferente das passeatas, o caso da Cutrale: o MST ocupou a fazenda com o intuito de denunciar os cartéis da laranja, a concentração das terras, e especialmente o fato da fazenda não ser da Cutrale, mas da União. Coisa totalmente diversa das imagens apresentadas: um trator derrubando o laranjal como em um ato de vandalismo contra a propriedade privada.
 
É certo que a imprensa não deu ênfase em nenhum dos pontos manifestados pelo MST. Inclusive, é certo que todo o laranjal derrubado não equivale a 1% da fazenda. Mas o recado mediático foi bem preciso, e estrategicamente oportuno para reativar o movimento dos ruralistas pela CPI do MST, contra o MST.
 
Fique claro o ponto em questão: não se ofereceu um canal de discussão, apenas a via da desqualificação (somada ao problema acima, do cuidado estratégico para com a cobertura negativa – o MST parece às vezes não se ater ao fato de que, diante da imprensa, pisa em ovos).
 
O Dep. Dr. Rosinha (PT-PR) chamou a atenção precisamente a essa via da desqualificação hoje, em seu twitter. Entrevistado no Jornal da Globo junto ao Dep. Onix Lorenzoni (DEM/RS), reclamou do fato da edição começar e terminar com as falas de Lorenzoni, totalmente afim aos motivos contra o MST:
A edição de ontem do "Pinga-fogo", do Jornal da Globo, foi criminosa. Deu + tempo ao dep. do DEM, q abriu e fechou o quadro. () a Globo cortou o q falei em defesa do MST, sobre a CPI da Terra de 2005, as mortes no campo. Lamentável. (…) Na gravação com o repórter Heraldo Pereira, eu havia sido o último a falar. A edição fez parecer q ambos concordávamos! (…) além do desequilíbrio e parcialidade pró-ruralistas, o Jornal da Globo ainda me idenficou como do PT-SP (…) A emissora da família Marinho não perdeu o costume de 1989 (debate LulaxCollor). Edita conforme lhe convém. ()
Também pudera: o Dr. Rosinha declarou a defesa de uma investigação das autoridades para apurar os acontecimentos da fazenda, especialmente os relativos ao teor da denúncia do MST. Aproveitando o gancho, a edição converteu as palavras de Rosinha, tornando-as totalmente afins à fala de Lorenzoni: declarando o contrário, ele defendia a criminalização dos atos do MST. O recado foi claro: parecia que os deputados, totalmente contrários, falavam a mesma coisa (!). Basta conferir o vídeo.
 
Não por acaso, o "repórter" Heraldo Pereira definiu muito bem a situação: "tática de guerra política" (sic).
 
 
Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s