O Google e o monopólio do conhecimento

Temos idéia da dimensão de uma única empresa digitalizar e controlar o acesso de boa parte do acervo mundial?

Alguns dias atrás comentamos a notícia de que a Biblioteca Nacional da França disponibilizará parte de seu acervo no Google Books. Lá, colocamos a seguinte pergunta: será a Biblioteca Universal uma biblioteca universal e privada?

Quem acessa o google books sabe que não se digitalizam livros apenas por idealismo ou filantropia. Se assim fosse, todos seriam naturalmente completos e gratuitos – e sem links para as livrarias.

Nisso podemos ter idéia da dimensão de uma única empresa digitalizar e controlar o acesso de boa parte do acervo mundial.

Com a popularização de leitores eletrônicos de ebooks, cada dia a perspectiva de explorar tal acesso é maior. Pierre Levy divulgou material, dias atrás, sobre a possibilidade do Google concorrer com a Amazon, criando uma mega livraria.

Hoje, Levy divulgou outro link, com considerações sobre um possível monopólio do conhecimento. O mecanismo parece ser o mesmo do caso da BNF: com suporte financeiro, o Google desponta como referência de peso, obrigando os concorrentes a rever as próprias dinâmicas.

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Nesse contexto, essa notícia parece interessante.

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E mais dois links: "The Googlisation of Everything" (esse texto é interessante dentro do comentário do Marcus) e Institute for the Future of the Book

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3 comentários em “O Google e o monopólio do conhecimento

  1. Aliás, isso também romperia com um outro tipo de monopólio ao qual já estamos acostumados. Só se publica o que é comercialmente interessante para as editoras.

    De certa forma os blogs já romperam um pouco esse monopólio da informação rápida na mídia, e as formas de compartilhamento de arquivos de áudio já puseram em cheque o monopólio das gravadoras.

    Falta bagunçar um pouco o mercado editorial, que anda muito confortável…

  2. Não há como dizer que o Google “controla o acesso” aos livros, já que qualquer outra empresa tão inovadora quanto ele pode digitalizá-los também.

    Os governos que ficam esperneando contra o Google deveriam justificar por que eles mesmos não fizeram isso antes.

    RE: Olá Marcus!
    Desculpe a demora do comentário (eu estava viajando). Mas você tem razão quanto à segunda parte.
    Quanto à primeira, o problema é o que ocorreu no caso da BNF, por exemplo: a deficiência de financiamento relativo ao do google acabou conduzindo a disponibilização de parte do acervo pelo google, algo semelhante a uma “parceria”.
    E o google controla o acesso, pois disponibiliza conteúdos dos livros apenas segundo permissões das editoras, no mesmo espaço em que tem um acervo aberto. Não sei quais serão as perspectivas, para o futuro, mas essa mistura de acesso restrito e pago com acesso livre, no mesmo espaço, não dá muito certo. Na BNF (Gallica) ficou uma lambança. Mas tomara que os efeitos não sejam ruins!

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