Monopólio transnacional, salvador do Mundo

Ler a Veja é às vezes como frequentar a marginal Tietê: aqui e ali gigantescas fachadas das maiores marcas do Brasil e do Mundo; no meio de tudo, o rio transformado em esgoto.

Analogia talvez mais verdadeira quando a Veja empreende seus "argumentos" sobre as soluções para o Mundo. Na edição desta semana, a "resposta à superpopulação":

Soja modificada geneticamente da Monsanto (ao lado) e o papa da revolução verde, Norman Borlaug: sem tecnologia de ponta, o mundo estaria passando fome

A Monsanto fica com boa parte da solução: 

Apesar de ainda despertar um sem-número de polêmicas, a engenharia genética é vista como a salvação para o futuro da comida no planeta. "Através da utilização de sementes geneticamente modificadas, busca-se aprimorar as qualidades de determinado alimento com atributos obtidos de outras espécies ou bactérias. Isso eleva os ganhos de produtividade em até 10%", afirmou a VEJA Rodrigo Santos, diretor da Monsanto. No Brasil, um exemplo é o milho YieldGard (Bt), resistente às três pragas típicas dessa lavoura: a lagarta-do-cartucho, a lagarta-da-espiga e a broca-da-cana. Para os próximos anos, a Monsanto, líder mundial do setor, planeja lançar sementes tolerantes a secas prolongadas e que produzam alimentos mais nutritivos. Também estão sendo pesquisadas variedades de cana-de-açúcar com o dobro do poder energético. 

Notemos o tom: apesar de tanto falatório a engenharia genética é a salvação, e o argumento da salvação perpassa transnacionais como a Monsanto. E mesmo com tanta polêmica, o papel do jornalismo de uma revista chamada Veja não é fazer jornalismo (analisar as polêmicas, por que elas são tão insistentes por exemplo), é dar respostas.

Agricultura familiar, produtividade e tecnologia de sementes crioulas, monopólios de transnacionais, risco dos transgênicos, dependência econômica e alimentar, nada está em questão. Quem precisa de jornalismo, se já temos as respostas?

Ainda mais se a "reportagem" da Veja curiosamente concede a diversos players implicados com as causas do problema a voz da solução (antigamente se ligava o Monopólio ao aumento dos preços – algo que talvez os economistas atualizados de Veja considerem ultrapassado).

Por sorte, embora sem visibilidade tão privilegiada, outros cumprem a função:

Confidential contracts detailing Monsanto Co.’s business practices reveal how the world’s biggest seed developer is squeezing competitors, controlling smaller seed companies and protecting its dominance over the multibillion-dollar market for genetically altered crops, an Associated Press investigation has found.

With Monsanto’s patented genes being inserted into roughly 95 percent of all soybeans and 80 percent of all corn grown in the U.S., the company also is using its wide reach to control the ability of new biotech firms to get wide distribution for their products, according to a review of several Monsanto licensing agreements and dozens of interviews with seed industry participants, agriculture and legal experts.

Declining competition in the seed business could lead to price hikes that ripple out to every family’s dinner table. That’s because the corn flakes you had for breakfast, soda you drank at lunch and beef stew you ate for dinner likely were produced from crops grown with Monsanto’s patented genes. [Continua no artigo do Associated Press, com créditos do link ao Animot e seu twitter, tradução es, pt]

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Um comentário sobre “Monopólio transnacional, salvador do Mundo

  1. A Monsanto não É Deus,apenas uma multinacional.O texto de VEJA toma partido,sim.Os textos de VEJA
    só não revelam a coragem de propor: o que seria
    do mundo,sem as MULTINACIONAIS? Outro ‘mundo’,por
    certo.Pior ou melhor? Creio que bem pior.Quanto a monopólios,aqui estamos nós no Google,na Microsoft
    e com nosso ‘Intel’ aqui dentro… Monopólios são parte da nossa realidade.Haja vista a Petrobrás,
    em nosso país. Ou estou enganada?

    Saudações,Dani

    RE: Quer dizer que pura e simplesmente você admite a existência dos monopólios, e pela simples existência sua legitimidade?
    Arrisco dizer que está enganada, Dani. Por um princípio muito simples: a concorrência. Você aponta dois exemplos: a Petrobrás e a Monsanto. A Petrobrás é do setor do petróleo e relativamente abriu o capital nos últimos anos (e aliás, o Petróleo é um setor que possui os maiores monopólios e cartéis do mundo, já ouviu falar na EXON-MOBIL?). É incrível o teu argumento: desvalorizar o mercado em função dos interesses nacionais para o mercado de interesses internacionais.

    Mas e aí, em um cenário de concorrência no Brasil ela concorreria com quem? Com os grandes monopólios mundiais? Aí está um problema bem diferente da Monsanto. Ela concorre diretamente com os pequenos em cada país que entra. E muitas vezes sob meios nem tão legais assim.

    Quer dizer que você está valorizando o livre comércio sem valorizar critérios de uma livre concorrência? Dê uma olhada nos links, no livro e no documentário…

    Aliás, até mesmo as “pesquisas” da Monsanto são colocadas em xeque.

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