Duas passagens sobre o Hipertexto

A primeira, do Rodrigo Cassio, põe muito bem o problema das relações entre autonomia e WEB:

 Questionar o capitalismo tardio adotando as próprias estratégias de sociabilidade pelas quais ele se absolutiza em nossa experiência é algo que precisa ser posto em xeque, o tempo todo.

A segunda, do Hermenauta, faz isso igualmente (ver o vídeo!):

O ser humano em questão colocou seu “momento de fraqueza” no YouTube, para ser visto pelo público mais amplo possível. Além disso ela é maior de idade.

Mas eu até concordo contigo que tirar um sarro da menina apenas pelo fun of it é pouco sábio. O que me incomoda, no fundo, é a incrível falta de profundidade de pessoas que teoricamente teriam tudo para não ser assim. E isso não é apenas tiração de sarro, é um convite a uma meditação sobre que tipo de sociedade estamos criando, quando a própria menina que nos diz que quer dar a volta por cima transforma seu pretenso momento de iluminação em apenas mais um produto para consumo audiovisual. Nesse buraco negro, as telinhas se transformam em um horizonte de eventos do qual nem a maior das boas intenções consegue escapar.

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Um comentário em “Duas passagens sobre o Hipertexto

  1. Discordo que a internet seja necessariamente a forma como o capitalismo nos absolutiza. Acho é que a gente chegou nela já muito absolutizado. Mas é como a própria linguagem: é por ela que somos dominados, mas por ela tb podemos nos libertar (talvez). Eu acredito no poder libertador da internet. Só falta o poder libertador das pessoas.

    No mais, muito bem pinçados os textos.

    RE: Muito bem observado. A internet é uma filha da Arpanet, criada com propósitos militares. Entretanto, como tentamos também discutir aqui, sua “popularização” deu margem a belos movimentos de autonomização.

    As duas citações se colocam talvez dentro de uma problemática na qual essas formas de autonomização talvez já não são tão cultivadas quanto há 10 anos. Discussões sobre termos como “hipertexto” foram praticamente apagadas, especialmente nos blogues. Estes cederam lugar muito mais a questões passionais e pessoais do que à discussão sobre formas de autonomia, por exemplo. E nos últimos tempos uma das palavras de ordem é “monetização”.

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