Entre a Cicuta e o Arsênico

Recorte do quadro Dispute of Queen Cristina Vasa and René Descartes, de Nils Forsberg/Pierre-Louis Dumesnil (formato grande)

Paulo Leminski conjectura no Catatau que o filósofo francês René Descartes poderia ter vindo ao Brasil a serviço de Mauricio de Nassau, ao invés de escolher a Suécia. Mas como se sabe, a história foi bem diferente: mudando-se para aquelas terras frias, Descartes morreria logo depois de pneumonia e complicações ligadas ao frio.

Conforme um alemão chamado Theodor Ebert, isso também é apenas história. Baseado em pesquisa documental, Ebert chegou a uma curiosa tese: Descartes não teria morrido de frio, mas sim envenenado por uma hóstia embebida de arsênico! O assassino seria um padre chamado François Viogué, motivado por questões politico-religiosas.

Para Ebert, em correspondência com o Vaticano o padre Viogué anunciaria uma possível conversão da rainha Cristina ao catolicismo. Nesse universo de "possibilidades" o filósofo francês poderia dificultar a conversão, pois seu pensamento não era totalmente conforme o catolicismo e poderia despertar questionamentos.

A rainha de fato se converteu quatro anos após o "assassinato", ocorrido segundo Ebert em 2 de fevereiro de 1650. Descartes morreria nove dias mais tarde, após sofrer sintomas como sangue na urina, vertigens e dores de barriga (a auto-prescrição de um vomitório não impediu o agravamento da intoxicação).

Se a morte ocorreu mesmo por arsênico, o filósofo não foi o primeiro a encarar um fim trágico devido a questões políticas. Preza a tradição que Sócrates morreu envenenado por Cicuta, acusado de corrupção de jovens e cultos extravagantes. Cem anos depois de Descartes outro filósofo também morreu intoxicado, não propriamente por questões políticas – trata-se de Julien Offray de La Mettrie, que literalmente não resistiu a uma refeição de pâté aux truffes e caiu após longa febre e delírios. [via Le Figaro e Guardian]

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3 comentários sobre “Entre a Cicuta e o Arsênico

  1. Não se esqueça: o arsênico mata mas também conserva – era usado em taxidermia. E até mesmo embeleza: no século XIX o pó era usado não só para matar ratos [ou figuras inconvenientes] mas como uma espécie de botox vitoriano, para corar as maçãs do rosto.
    Para matar com uma ingestão de arsênico seria preciso no mínimo de 15mg por kilo da vítima. Mesmo que Descartes fosse magérrimo [50kgs] seria impossível embeber água ou vinho com 300 mgs de arsênico em uma hóstia, que seria a dose MINIMA.
    Além de tudo um papa hóstia [literalmente] vai dificultar a conversão da rainha?!

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