A saia justa da Assembléia Legislativa do Paraná

Quando um grupo de jornalistas faz uma denúncia radical, gritante, maciça e agressiva, duas são as saídas possíveis: ou esses jornalistas são pessoas inescrupulosas e caluniadoras, cujo destino certo seria a cadeia; ou a denúncia exige uma apuração tão radical quanto seu teor, sob a pena de todos nós, o tal "povo brasileiro", não passarmos de idiotas.
 
É mais ou menos isso que está em jogo, no caso dos "atos secretos" da Assembléia do Paraná. Em um post preciosíssimo, Rogerio Galindo disse tudo: não há transparência quando os próprios deputados, sob denúncia ou desconfiança, reunem-se a quatro paredes para deliberar sobre… a transparência. Se o assunto é transparência, esse jogo de reuniões a portas fechadas versus declarações vagas e reticentes em público é um deliberado cuspe na cara do eleitor.
 
Junto a isso, o silêncio, o recato dos deputados diz muito. Estão em evidência e não sabem o que fazer quando estão em evidência. Não chegam a perceber que a "tranquilidade", o silêncio e o recato só depõe contra eles mesmos, como se bastasse dizer nada para que tudo permaneça como está.
 
Como bem disse novamente Galindo, uma coisa em todo caso é certa: as declarações indiretas, vagas e reticentes dos deputados tem seu valor medido pelos bastidores. O pouco que se diz em público certamente remete indiretamente ao muito que se diz  ou se supõe a portas fechadas.
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4 comentários em “A saia justa da Assembléia Legislativa do Paraná

  1. Como disse o Bennet no twitter: eis o legado do Aníbal Curi.

    RE: Pois é, como o Dr Rosinha havia dito, o próprio Khuri vaticinou algo como “esperem para ver depois que eu me for”

  2. A cobra morde o próprio rabo… a sociedade se desmobiliza e não acompanha a classe política que aproveita o descuido e faz da casa do povo coisas que nem em casas de tolerância seriam permitidas.

    A solução está na sociedade, na transparência, na mobilização… enfim. Se deixar o barco solto dá no que dá.

    Falo sem conhecer a questão, mas não difere de Brasília ou de qualquer outro estado ou município. A praxis é sempre a mesma.

    Ou não?

    RE: Pois é, o incrível é a sensação ser a mesma!

  3. Não vai dar em nada. Isto é assim desde Cabral. Como pode uma AL ter presidente vitalício? Doa a quem doer mais parece uma frase de efeito, só vai doer no bolso do cidadão. Fôssemos mais conscientes iríamos a AL colocar o prédio abaixo.
    Não tem problema, na próxima eleição os gatunos voltam para lá “nos braços do povo”.

  4. É por essas e outras que eu apóio o Projeto de Lei Ficha Limpa.

    Aqui: http://www.avaaz.org/po/brasil_ficha_limpa/?cl=492898827&v=5509

    Ainda mais agora que o projeto foi alterado para que não dê chances para um mau julgamento em primeira instância.

    O que você acha desta possibilidade, Catatau?

    RE: Olá Pax!

    À primeira vista, acho a idéia bastante interessante, mas não conheço o teor do Projeto e das alterações.

    Se não for mais um artifício legal que fica apenas em âmbito jurídico e abstrado (como outras leis que se fazem por aí e são verdadeiras trocas de 6 por meia dúzia), parece valer!

    Você tem acompanhado a respeito?

    abraços,

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