Robert Fisk: Leituras para entender o Oriente Médio

Robert Fisk:

Várias vezes por ano, leitores do Independent pedem-me que sugira “uma lista de leituras” de livros em inglês sobre o Oriente Médio. Não é fácil. A maior dificuldade para escrever com consciência histórica sobre o Oriente Médio é que a história não terminou. A guerra continua. Os dois “lados” – de fato há muitos, muitos lados – produzem narrativas conflitivas. E não aceito a ideia de que se possa oferecer uma lista equilibrada de livros. Há a versão de Israel. Há a versão dos árabes. Há a versão alucinada dos norte-americanos etc. O Oriente Médio é questão de injustiça. Quem contará melhor a história?

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6 comentários em “Robert Fisk: Leituras para entender o Oriente Médio

  1. Não consegui acessar o link do livro do Fisk que você colocou no comentário acima. Se for o “A Grande Guerra Pela Civilização” confesso que comprei mas ainda não encarei o calhamaço de 1493 páginas. Mas é um débito a ser sanado. Espero que em breve.

    A turma mais propensa a só ouvir a versão israelense ou americana odeia o Fisk…

  2. Mas há agora uma grande questão em andamento. A coisa voltou a esquentar por lá pela decisão de construir mais 1600 casas em Jerusalém oriental.

    Aí é onde mora o conflito, para variar. E, de novo, segundo me parece, por pressão dos israelenses mais ortodoxos.

    Você sabe destrinchar essa atual crise?

    Nessas horas que o Pedro Doria falando do assunto faz uma falta danada.

    RE: O Idelber também estava mandando bem, especialmente depois que leu outro livro que parece muito interessante: The Ethnic Cleansing of Palestine, do Ilan Pappé. Outra leitura muito interessante sobre os assentamentos parece ser o Neve Gordon. Mas esses são considerados “revisionistas”, portanto vistos com desconfiança pelos pro-israelenses. O Robert Fisk editou há tempos um pequeno documentário chamado Road to Palestine, muito interessante e de certo modo atual. Inclusive o documentário explora questões imobiliárias, se não me falha a memória, na própria Jerusalém.

  3. Sei não Catatau. O Idelber – que respeito – me parece muito parcial. E esta questão é como no meu primeiro comentário, não dá para assinar embaixo qualquer dos lados. Mesmo que desejemos proteger os mais ferrados.

    Em determinado momento conversei com Idelber sobre as visões do Amos Oz, um cara que pensa exatamente que ninguém tem razão e qualquer chance para a região passará inevitalvelmente por úlceras estomacais nos dois lados que deverão abdicar de muitas coisas para conseguirem viver com vizinhos que não gostam.

    Como o assunto é demais irracional para minha compreensão prefiro a opinião que ninguém tem razão e que todos estão errados.

    E, claro, não colocar todos os gatos nos mesmos sacos, não generalizar. Podemos criticar governos, mas não seus povos de forma generalizada. Caso contrário como deveríamos nos achar nos tempos da ditadura, por exemplo?

    RE: Mas aí existem várias questões relativas a ser ou não “parcial”, e como parcialidade ou imparcialidade implicam ou não uma tomada de posição. As posições são tomadas mesmo que não as reconheçamos. Neve Gordon, por exemplo, é israelense e professor da Universidade Ben Gurion. Dificilmente se poderia enquadrá-lo como “anti-israelense”, embora ele é contra as políticas relativas aos palestinos desde a instauração do Estado, e seu livro e site são muito interessantes a esse respeito.

    O próprio Fisk diz que não existe imparcialidade em jornalismo. É diferente cobrir uma briga de vizinhos ou os conflitos em Israel, deve-se falar sempre sobre as injustiças (quando ocorrem em ambos os lados), mas também sobre as relações desmedidas (elas invariavelmente resultam em atitudes desmedidas, mas atitudes desmedidas são diferentes quando aplicadas por um Estado ou por grupos de desesperados radicais). A frase citada de George Antonius dá o tom: “Nenhum código moral pode justificar a perseguição de um povo, como meio para aliviar a perseguição de outro. A cura para a expulsão dos judeus da Alemanha jamais será a expulsão dos árabes, de sua própria terra”.

    Não estou por dentro da discussão atual, mas ela é sobre a construção de novos assentamentos numa região de Jerusalém na qual se espera estabelecer controle palestino, é isso? Caso sim, o documentário do Fisk é bem interessante, pois mostra exatamente uma dinâmica de desapropriação imobiliária de palestinos em prol de investimentos israelenses. Práticas cotidianas, legalizadas, geridas, institucionais, e bem parciais – o que não depõe a priori, como você bem disse, contra os israelenses, mas contra as políticas de Israel.

  4. Pelo que li rapidamente é isso mesmo, construção de casas onde, a priori, seria uma região de Jerusalém sob controle palestino.

    Se for isso mesmo, não tenho como não tomar partido. É claro que seria mais uma das atitudes absolutamente condenáveis.

    Mas o que mais me incomoda nestas histórias todas é o fundo religioso de todo esse ódio. Como sou ateu não consigo entender como dão tanto valor a simbolismos que a mim não dizem nada.

    E matam a três por quatro por conta do que, de novo, não me diz nada.

    RE: Aliás, continuando o assunto, o site do Neve Gordon mostra diversas fotos sobre a arquitetura dos assentamentos e ocupações. São verdadeiras fortalezas, e o interessante é que não são propriamente fortalezas porque estão em posição “defensiva”, mas sim porque são fortalezas “avançadas”, construídas em territórios ocupados. Vale conferir.

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