A outra face

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Neste exato momento, na capa do site History.com (um canal de TV a cabo norte-americano), ao lado de uma reportagem sobre refeições em jogo de baseball o leitor encontra outra, sobre a face de Jesus Cristo.
 
Mais especificamente, a reportagem é sobre uma simulação em 3D a partir do famoso Santo Sudário. Se cobriram Jesus de fato com esse sudário, sua face se assemelha muito à representação acima.
 
Uma discussão dessas possui importância evidente, pois até hoje os pesquisadores (da teologia à arqueologia) tentam separar a tradição de um lado e o Cristo "histórico" de outro. Nesse caso, a curiosidade pela figura histórica se condiciona pela autenticidade ou não do sudário.
 
Por outro lado, na tradição e na história ainda permanece aberto o problema dos ensinamentos efetivos de Jesus, para além de 2000 anos de acréscimos, omissões e adaptações. É correto o modo como judeus, cristãos e muçulmanos o encaram? E dentro da tradição cristã, alguma vertente seria mais fiel?
 
Em todo caso, uma crença parece unificar todas: a de que Jesus ressuscitou. Ela moveu as primeiras comunidades e a proliferação cristã, em terras estrangeiras e no Império Romano. De algum modo, é um dos temas mais caros ao Ocidente.
 
Mas é curioso notar que se o chamado "cristão" adota essa crença, talvez não admita que ela se refere em tese a um fato considerado histórico, efetivo, real: dois mil anos atrás um sábio morreu e ressuscitou de fato.
 
Isso muda tudo, pois se de um lado há uma crença, essa crença deve ser obrigatoriamente a crença em um fato extraordinário. A crença no fato condiciona tudo o mais, e sobre isso até o Novo Testamento relata a mudança de comportamento dos apóstolos, da prisão à ressurreição.
 
Portanto, se o fato da crença e a imagem acima forem autênticos, verdadeiros, encaramos a imagem de alguém que morreu e ressuscitou. Como dizem alguns autores, isso não deixa de causar perplexidade, e não importa se tratamos de céticos ou fiéis.
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4 comentários sobre “A outra face

  1. É como escreveu o apóstolo-teólogo Paulo: “Se Cristo não ressuscitou, é vã a nossa fé”.
    O evangelho está fundamentado não apenas na “cruz”, mas no “Cristo ressurreto”.
    Se Cristo de fato ressuscitou, e ressuscitou como fato histórico e não mitológico, a Bíblia tem de ser lida à luz desse evento, o que modifica amplamente o sentido da vida e o entendimento teleológico da história humana.
    vou procurar os livros indicados no link.

  2. Vc conhece a leitura junguiana do arquétipo da ressureição de Cristo? Eu acho q fica tão pobre se a gente ficar se ligando a esse viés ressureição-acontecimento-espetáculo.

    A metáfora da ressureição seria a de morte do ego, o ego que está separado de Deus e por isso sofre, e a ressureição seria a integração com o mundo numa totalidade, o que era inconsciente se torna consciente e já não é mais motivo de sofrimento. Morrem as neuroses e ressuscita a consciência de totalidade.

    Não consigo deixar de relacionar isso pessoalmente com a questão da superação dos dualismos interioridade/exterioridade na nossa cultura. E a da construção do comum, da qual vc já tratou aqui falando do livro do Negri sobre Jó. A solidão, o ego, a interioridade já não são mais motivo de sofrimento…

    Eu acho essa interpretação bem mais interessante, inclusive porque ela liga o Cristianismo a muitas outras tradições místicas, e muitas outras coisas mais. É mais compartilhável, né? 🙂

    Feliz páscoa atrasada, Catatau!

  3. Oi Natalia!

    Creio que seja mais ou menos como o Joezer disse: se não é um dado histórico, “é vã a nossa fé”.

    Isso pq até o Novo Testamento o mostra. Se não houve o dado da ressurreição – mais do que uma metáfora -, os discípulos iriam embora e não nasceriam comunidades cristãs; o cristianismo não se alastraria, não ocorreriam os martírios históricos, e enfim viveríamos em um mundo radicalmente diferente deste.

    E agora invertendo o argumento: se há o dado da ressurreição, os cristãos mostrariam todos (ou quase todos) uma fé frouxa, ressentida e mal compromissada, visto que existiriam garantias extraordinárias para quem afirma a própria fé.

    Enfim, dois temas que causam perplexidade…

  4. penso até assim: se ele ressuscitou, e não morreu de novo, então do mesmo jeito que visitou os apóstolos, visitaria pessoas hoje em dia, e do mesmo jeito que ensinou e guiou-os naquele tempo (mesmo após sua morte), ainda o faria hoje em dia! É realmente uma questão de crença: Ou você acredita sincera e completamente, ou realmente não acredita…

    RE: Sim Thiago, mas aí você não enunciou apenas uma crença mas várias, e uma não implica necessariamente a outra 😉

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