A liberdade por meio da força

O paradoxo mais concreto da última década

 

 Ainda hoje escutamos certo linguajar "fisiológico" quando políticos falam em "sanear", "limpar", "extirpar", "fazer sangrar" e outras coisas semelhantes.
 
No caso do governador Arruda, não foi apenas um político do PFL a utilizar esses jargões (Cf. por exemplo o twitter de Ronaldo Caiado). O corpo social parece a eles literalmente um "corpo", com certa harmonia interna e riscos à homeostase (embora uma boa pergunta seria: existiu algum dia essa harmonia interna?).
 
Mas é interessante notar que outro linguajar também apareceu nas falas dos políticos. É a "pacificação". "Pacificar" significa encontrar  um meio de amaciar uma região de conflito antes de inserir práticas "pacíficas" e "democráticas". Na recente catástrofe do Haiti não é raro ouvir tal palavra na cobertura, a despeito de todas as redes informais (e bem "pacíficas") que operam no caos haitiano, alheias à ajuda internacional.
 
O leitor Dan, nesse sentido, enviou alguns links muito interessantes. Parte de seu comentário:
As operações de paz da ONU podem ser classificadas em: manutenção da paz (peacekeeping); estabelecimento da paz (peacemaking); construção da paz (peacebuilding) e imposição de paz (peace enforcement), de acordo com as tarefas específicas a serem conduzidas em prol da paz.
Os EUA conduzem suas tarefas por imposição de paz (Iraque e Afeganistão), que é uma abordagem mais dura e intervencionista, pois trata-se de um conceito novo e localizado precariamente numa interseção entre a lógica de paz e a lógica da guerra. Esta operação (peace enforcement) se tornou bastante complexa, difícil de administrar e beligerante.
Em especial Dan cita um texto intitulado The peace enforcement dilemma (Frank Crigler), disponível no site Global Security.
 
O link é fabuloso pelo número de textos disponíveis. Mas o texto recomendado por Dan é muito interessante por tratar desse tipo de prática ainda de modo incipiente, na Somália do início dos anos 90.
The United Nations is conducting a major experiment in Somalia, one whose  implications  reach  far  beyond the Horn of Africa. Its aim is to  determine  whether  collective  military means  can  be  successfully  applied  to  halt fighting  and  restore  order  in  countries  torn by  ethnic  conflict,  political  chaos,  or  civil war.  If  it  works,  the  world  community  will have  a  new  tool  among  its  multilateral peacekeeping instruments, an approach now being termed peace-enforcement.
Unfortunately, the results of the experiment so far are not encouraging and suggest a  need  to  examine  the  lessons  of  Somalia carefully  before  peace-enforcement  is  attempted elsewhere. [continua no pdf]
Não apenas os casos recentes de "pirataria" na Somália, como as invasões no Iraque e no Afeganistão, mostram os resultados de aplicações de Peacekeeping. Eles saltam aos olhos, surpreendentes como a tatuagem mostrada acima (de um soldado norte-americano no Afeganistão).
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