Curitiba perde estacionamentos

Curitiba realiza mais um passo em seu projeto de asfaltamento universal da cidade.


Simulação do Planejamento da Av. Visconde de Guarapuava – Primeira Fase (pessoas e calçadas serão retiradas na segunda fase)

Depois da Av. Visconde de Guarapuava, agora é a Av. Silva Jardim a laureada com as mais novas medidas sanitárias da prefeitura de Curitiba: o aumento do número das vias pela exclusão de estacionamentos. Desde muito tempo a prefeitura saneia os obstáculos negativos ao trânsito de automóveis, tais como estacionamentos, calçadas, ciclofaixas (estas, inexistentes – para que conceder um espaço a mais a esses ciclistas desocupados?) e pessoas:

Segundo a gestora da área de Operação de Trânsito da Urbs (empresa municipal que gerencia o trânsito da cidade), Guacira Civolani, a expectativa é de que, sem as vagas, o motorista passará a gastar 5 minutos a menos para percorrer a via. Mesma redução de tempo alcançada com a retirada do estacionamento na Avenida Visconde de Guarapuava – processo iniciado em 2006 e concluído no fim de março, com a retirada das últimas vagas em nove quadras do Batel. [link]

Consoante ao pensamento sanitário, outro analista ilustrou melhor a situação com termos retirados da fisiologia:

Chega um momento que é preciso desobstruir a veia para que o sangue circule. É a mesma coisa com as vias rápidas em relação às vagas. (sic)

Reforcemos os termos. Basta desobstruir os elementos negativos ao tráfego – e tráfego são carros – para que o sangue – isto é, os carros – circule. Como na circulação sanguínea, células e outros elementos externos aos carros podem infartar o organismo social. Retiremos os corpos estranhos, aumentemos as veias, e finalmente teremos as veias circulando (só resta saber que tipo de sistema funcional é esse ;)).

Contra a iniciativa da prefeitura, uma voz desrazoada se ergueu. Como sempre, só poderia ser de arquitetos:

 “Tomar essa medida sozinha é beneficiar demais o motorista, em detrimento do pedestre e do ciclista”, considera o arquiteto Fábio Duarte, coordenador do mestrado e doutorado em Gestão Urbana da Pontifícia Universidade Católica (PUCPR)

Os jornais esqueceram outros argumentos contra tal absurdo proferido por arquitetos. Em primeiro lugar, o estreitamento das faixas em até 40 ou 50 cm, não divulgado pelos jornais, além de favorecer o fluxo de carros, ajuda também a circular a economia. Basta olhar ao redor para ver o número crescente de carros batidos, visto que o aumento do tráfego e o estreitamento da faixa favorece acidentes, e logo o crescimento de oficinas.

Em segundo lugar, o aumento do fluxo significa aumento de barulho, e portanto aumento de conforto acústico. Basta os incomodados solicitarem um dos inúmeros serviços de janelas blindadas para o tráfego trazer maior qualidade de vida.

Em terceiro lugar, expulsos do ambiente urbano os cidadãos terão a opção de, nos horários de folga, usar seus carros para visitar os parques. Novo favorecimento econômico no comércio de refrigerante, algodão doce e flanelinhas.

Em quarto lugar, tais medidas não exigem grandes revoluções no transporte coletivo. Por que investir na redução do preço das passagens e no aumento da frota (fatores que levariam os motoristas a não usar seus carros), se podemos fazer a primeira licitação da cidade sem oferecer mudanças significativas?

E em quinto lugar, a cereja do bolo: para os incomodados, a cidade oferece um call center.

Anúncios

Um comentário sobre “Curitiba perde estacionamentos

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s