O preço abusivo dos produtos de aventura

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Quem visita comunidades virtuais de discussão sobre produtos para "esportes de aventura" encontra cotidianamente uma questão: o preço abusivo dos produtos, do calçado ao chapéu. A Decathlon, uma loja estrangeira que começa a se alastrar com sucesso pelo Brasil, inclusive criou o slogan: "Técnica não é uma questão de preço".
 
Com uma estratégia que em muitos sentidos sobrepuja os concorrentes, a Decathlon tem uma dupla vantagem. Em primeiro lugar é uma grande empresa, grande o bastante para oferecer segurança a empreendimentos ousados e tentativas de estabelecimento em locais com comércio já consolidado. Em segundo lugar, ela oferece produtos de todo tipo de qualidade e preço. Tanto o esportista de fim de semana, quanto o de ponta, encontram seus produtos por lá.
 
Mas antes de achar que a loja é a panacéia para todos os males, vale mesmo é tentar encarar a situação. Voltando às comunidades virtuais, é corriqueira a queixa de que, para além dos já altos impostos, as taxações sobre produtos estrangeiros são abusivas. Ou melhor, tanto os produtos estrangeiros, quanto os produzidos no Brasil, não raramente recebem uma margem de lucro infame.
 
O que isso quer dizer, em termos "práticos"? O comprador brasileiro que visita lojas virtuais estrangeiras  – incluindo as da Decathlon – percebe diferenças enormes de preço. Muitas vezes comprar fora custa a metade do preço, ou ainda menos. O lojista brasileiro pode dizer que o problema são os impostos. Mas isso é meia verdade.
 
Basta ver a discussão sobre as marcas brasileiras. É verdade que muitos produtos brasileiros são mais baratos do que os estrangeiros, embora ainda caros para o consumidor local. Com produtos de terras tupiniquins, as marcas  poderiam aliar a qualidade (há muitas marcas ótimas) com o preço baixo, propiciado por mão de obra local (com salários muito mais próximos dos fornecedores da Timberland  ou da Quechua do que dos funcionários da Victorinox, convenhamos) e menor custo para as diversas operações, da fábrica à loja.
 
Mas o que se vê é diferente: trata-se do velho tema do "para os amigos tudo, para os outros as regras". As relações de clientela em muitas lojas e marcas são relações de "clientelismo" no pior sentido do termo: acesso privilegiado às ofertas e menor margem de lucro para "os conhecidos" e  tudo "normal" para o resto, não raramente chamado de "a farofagem", "os farofas". Bom para os lojistas, ruim para os clientes.
 
Ou melhor, bom e ruim em termos, pois uma coisa, em todo caso, é certa: com o aparecimento de marcas/lojas de peso no mercado brasileiro, as marcas brasileiras – pelo menos as locais, isto é, as que não recebem produtos chineses – devem mesmo é abrir o olho.
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