Depois da missão

 

No recente seriado da HBO, intitulado The Pacific, um personagemdo exército norte-americano dizia ao outro, enquanto esperavam os japoneses: "Penso que, se estou aqui, é para que outros mais, muitos outros, não morram".

Esse tipo de narrativa, bem próximo a filmes com Tom Hanks e Spielberg (eles ajudaram a produzir a série), também se encontra em muitos outros filmes. Em Falcão Negro em Perigo, um personagem justificava sua participação na guerra simplesmente pela presença dos companheiros. E em The Hurt Locker o "mocinho" larga a esposa para tarefa semelhante.

Se a mera presença dos colegas justifica a guerra do mesmo modo como, por exemplo, justificaria permanecer em um bar, isso é deveras controverso. Bem como é controverso afirmar que qualquer guerra justifica minha estadia lá para que outros mais não morram.

Mas esse tipo de justificação pulula em temas de guerra hoje em dia, sem entretanto conviver com as mesmas figuras de antigamente. É curioso constatar a frequência de figuras semelhantes aos homens das fotos acima, caracterizadas com motivos de morte.

O Big Picture e outros blogs do tipo já exporam diversas vezes as tatuagens e trejeitos de soldados: não são mais espécies de personagens de Tom Hanks escrevendo cartas nostálgicas para casa, mas modernos garotos com notebooks, blogs e adornos (tatuagens, colares, etc.) ligados a música pesada.

Pelo menos em certo sentido, não se pode julgar o soldado pela indumentária. Do outro lado desse universo metaleiro, há também integrantes das mais diversas seitas norte-americanas, não raramente ligadas a uma espécie de protestantismo neopentecostal de ultra-direita. Um blog desse segundo tipo de combatente (hoje inativo) já chegou a afirmar: “it’s not my job to die for my country and beliefs… it’s to make those bastards die for theirs!" ("não é meu trabalho morrer por meu país e crenças… é fazer esses bastardos morrerem pelos seus!".

Humanitarian mission gift por The U.S. Army  Survey strategy por The U.S. Army

Entre os dois extremos, talvez se possam multiplicar os tipos. Deve haver um tipo de militar para cada tipo de pessoa, e nesse sentido inúmeras justificativas para as duas guerras. Só é difícil encontrar, em todas essas tribos, uma justificativa boa. Ainda mais vendo como se comportam os superiores desses soldados. No caso WikiLeaks, eles se comportam de modo nitidamente oposto aos oficiais "humanistas-libertários" de The Pacific. Basta ver a mais nova proibição imposta aos soldados: eles não podem mais acessar o Wikileaks!

 The orders seem to be the most far-reaching effort by the Pentagon in its ongoing effort to stop the release of classified information. The military is telling the troops they cannot even view what is publicly available, even though the WikiLeaks documents are on hundreds of websites.

(…) "[Department of the Navy] personnel should not access the WikiLeaks website to view or download the publicized classified information. Doing so would introduce potentially classified information on unclassified networks." (…)

Independente da perspectiva ou crença do soldado, só parece faltar o mesmo que falta em muitos filmes: em meio a tanto efeito visual, falta argumento.

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