O valor do meu voto

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Findas as eleições, sentimento de ressaca. Confirmando as previsões, Tiririca se elege. Mas no resto do Brasil muita coisa repete o fenômeno: Weslian Roriz recebe votação expressiva no DF; no Paraná, Beto Richa se elege sem reflexo algum de sua censura direta sobre as pesquisas favoráveis ao adversário.

Falta de transparência muito oportuna nesses tempos. No Paraná (só no Paraná?) o povo assinou embaixo e reiterou a mesma falta de transparência muito criticada há meses. Vários deputados estaduais comprometidos nesses escândalos foram simplesmente reeleitos. Nelson Justus (DEM), presidente da Assembléia que assinava os diversos Diários Oficiais "avulsos", secretos, não públicos, foi um deles. Outros candidatos ligados a casos de nepotismo  receberam votação expressiva.

Tiririca e os outros deixam a pergunta: qual é o valor de um voto? A resposta é fácil. Um voto é igual a 1/135.000.000, um dividido por cento e trinta e cinco milhões. Nos estados, vale um pouco mais.

Tulio Vianna enfrentou a fila da votação e escutou o zeloso pai ensinando ao filho: "clica qualquer coisa aí depois aperta o botão verde!". Vianna certamente foi criterioso com seu voto. Mas na contagem valeu o mesmo que a garatuja eleitoral do menino. Valeu tanto quanto o voto do marombeiro de boné e camiseta regata, entrando na saveiro rebaixada e tirando vantagem: "votei em Tiririca para fazer zoeira!". Enfim, o voto de Tulio Viana valeu na contagem tanto quanto o meu.

Celso Barros se esforçou para sustentar o porquê de seu voto em Dilma. No Amálgama, diversos outros também argumentaram sobre seu voto. O que significam essas argumentações? Quem tenta argumentar sobre seu voto sugere um debate: busca questionar os outros e ao mesmo tempo a si mesmo. Votar, para esses, tem um valor público, pois diz respeito ao consentimento geral, mas também ao consentimento próprio diante de argumentos.

Barros, Vianna e muita gente não votou igual a Tiririca, candidato com slogan curioso: "pior que tá não fica!" Mas cada um desses votos valeu o mesmo que o do menino e o do marombeiro que votou para zoar. Ou melhor: o marombeiro e mais 1300000 pessoas com voto igual ao dele, ao meu e ao de Vianna e Barros votaram em Tiririca.

Ok, mas e então? Seremos contra o voto? Vamos relativizar o voto e destruir todas as conquistas democráticas do Brasil desde o Regime Militar? Pelo menos agora podemos votar. E inclusive criamos aquelas propagandas de TV que explicitamente reduzem a democracia ao voto a cada 4 anos: "escolha bem, senão… só daqui a 4 anos"

Certamente poder votar é muito melhor do que não. Mas aí poderíamos olhar para trás e rever as eleições de 1989 e seus debates. Por exemplo, o primeiro debate da Band apresentava Maluf como político de várias concorrências "indiretas" no Regime Militar. Em certa ocasião Brizola tentava lembrar o público de que Maluf era um "daqueles", "filhotes da ditadura", não afeitos à discussão mas à imposição. Contrapor-se à ditadura significava afirmar que hoje os propósitos mudaram.

Isso é curioso. Os generais do Regime Militar tinham propósitos bem específicos ao escolher seus indicados. Os marqueteiros do PR também tinham propósitos bem específicos ao escolher Tiririca na eleição. Propósitos democráticos devolveram o voto ao povo. E os propósitos do marombeiro e do menino eram… quais mesmo?

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