O (não) debate eleitoral

É assustador tentar acompanhar os diversos debates eleitorais e as propagandas políticas nestas eleições. Quem acompanha vê verdadeiras monstruosidades. Monstruosidades assistidas (vistas e admitidas) por todos nós, todos os dias.
 
Tirando sarro delas, Hariovaldo Prado sempre dá seus pitacos. Como esse, recente, da cobertura da Globo e da Record sobre o mesmo acontecimento, utilizando praticamente as mesmas imagens. Basta ver o som aberto ou fechado no local de filmagem para ver a diferença, abissal entre o que uma emissora mostra e outra oculta.
 
Ou por exemplo acontecimentos que ficarão na história do esquecimento como a reação e intervenção de Serra contra Alan Feuerwerker e Marcia Peltier na entrevista concedida à CNT ou essa outra declaração, mais recente, sobre uma matéria contrária ao candidato: "Saiu uma matéria vagabunda, não sei do que se trata. Acha que eu ia parar de falar para ficar vendo essas coisinhas?
 
Imagine o leitor a repercussão, se em qualquer outro assunto Dilma usasse simplesmente o mesmo tom.
 
Aliás… desde o debate na Band acusa-se Dilma de "agressiva". É curioso o recurso retórico porque desconsidera a fonte da "agressividade", atribuindo-a como gratuita. Como se tudo não viesse das diversas acusações de uma Dilma pura e simplesmente "pró-aborto", inclusive tornadas capa da Veja. Dilma se defende com rigor, inclusive citando palavras da própria esposa de Serra contra ela. Resultado? O link logo acima o diz pela manchete: "Serra acusa PT de envolver sua família na campanha e de criar factoides".
 
Como se no debate a própria Dilma não demonstrasse, citando a regulamentação de Serra sobre o abordo no governo FHC, sobre suas posições não serem tão distantes quanto se tentou mostrar (aliás, imaginemos se esse ato falho viesse de Dilma).  Como se a defesa de acusações graves ("matadora de criancinhas") não merecesse respostas vigorosas. Como se, no caso de adotar uma estratégia mais branda, não se usasse a própria postura branda também contra a candidata. E enfim o mais grave: a defesa da candidata apenas serviu retoricamente para um novo ataque contra a própria forma da defesa, pois a @folha_poder, por exemplo, já prenunciava na hora exata da declaração de Dilma o que hoje recebemos goela abaixo como solo comum (mesmo depois de ver o debate): 
 
 
 
Na mesma linha sobre o aborto, não deixam de causar espanto posts como esse, da NovaE. Fantasia, conspiração? O debate está suficientemente corrompido (pela própria grande imprensa, que deveria possibilitá-lo) para que esse texto de Luis Nassif e o flagrante desequilíbrio na cobertura sobre a quebra de sigilo de Veronica Serra sejam lidos em conjunto com o da NovaE.
 
Moral da história? Venicio de Lima novamente enuncia muito bem nosso infeliz problema. O texto merece ser lido linha a linha:
Estamos também ainda longe, muito longe, do ideal teórico da democracia representativa liberal onde a mídia plural deveria ser a mediadora equilibrada do debate público, representando a diversidade de opiniões existentes no "mercado livre de idéias". Doce ilusão.
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3 comentários sobre “O (não) debate eleitoral

  1. E a tendência é que as coisas se exacerbem ainda mais nessas próximas semanas, numa última tentativa desesperada de sabotar a companha da Dilma. Poucas pessoas têm a exata medida do envolvimento ativo das famílias donas dos jornais, revistas e televisões principais do Brasil nos destinos políticos do Brasil desde sempre. Eles são apenas a ponta visível de um sistema que busca controlar os destinos políticos através da força do dinheiro e perpetuar sua dominação. É um liberalismo de fachada que esconde um projeto de poder, de controle do estado.

  2. É meu caro Catatau,

    o dragão, realmente, ainda não está morto e continua fazendo muito barulho.

    Mas os aliados da Dilma já fizeram folgada maioria e é apenas uma questão de tempo para allcançar a vitória.

    Mas que está sendo duro de aguentar, está.

  3. É curioso o recurso retórico porque desconsidera a fonte da “agressividade”, atribuindo-a como gratuita. Como se tudo não viesse das diversas acusações de uma Dilma pura e simplesmente “pró-aborto”, inclusive tornadas capa da Veja.

    chest- que por acaso são verdadeiras, tem VT de Dilma dizendo claramente que o SUS deve estar preparado para receber mulheres que “queiram” abortar. Nesse caso parece que a agressividade de Dilma é contra a revelação de uma verdade por ela mesma difundida ou contra o fato dela mesmo ter tido a idéia de abrir a boca.
    Lembrem-se, no fato do acusador falar a verdade, a calúnia está automaticamente excluída.

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