Entre papéis, omissões e abortos

Depois do embate ontem entre manifestantes do PT e do PSDB que gerou a "pancada" em Serra, a reação foi imediata contra os petistas. No bafafá logo após o ocorrido, saiu um vídeo dramático de pessoas protegendo Serra e entrando no carro. E os jornais começaram a soltar notícias sobre a campanha do candidato cogitar ou não se as imagens da "pancada" iriam ao ar já à noite. Fotos no Google News mostravam o candidato abaixado, como atingido por um petardo. Indio da Costa chegou a dizer que o objeto tinha dois quilos. (!)
 
Qualquer um sabe que não se pode aceitar qualquer agressão, mesmo em uma campanha que incitou tantos instintos baixos (e me refiro à estratégia de Serra e sua pauta de ódio moral). E mesmo sob esses motivos (que serão infelizmente desconhecidos pela maioria, pois a imprensa não cumpre seu papel de informar), não havia necessidade de violência ocasionada ou revidada de qualquer lado. Ou melhor, por motivos também não discutidos pela mídia mais financiada do Brasil, os petistas precisariam mais ainda conter os ânimos e não dar a cara a bater, com ou sem razão.
 
Mas as agressões não são apenas físicas e não se limitam apenas a militantes exaltados. O SBT desmentiu com imagens todo o ocorrido. Vale ver e rever as imagens. Algo com volume semelhante ao de um santinho amassado foi o objeto de todo o bafafá e de toda a cena posterior, da tomografia às 24 horas de repouso.
 
Ontem um militante do PT foi morto no Acre por outro do PSDB. Novamente, toda agressão é deplorável. Mas… e se ocorresse o contrário, a repercussão seria igualmente nula?
 
Ou senão, veja-se a vergonhosa edição do Jornal Nacional de ontem. Ela apresentava o jornalista Amaury Ribeiro Jr. como o mandante da quebra de sigilo de Veronica Serra e outros do PSDB. Na época Ribeiro Jr. trabalhava para O Estado de Minas, jornal do grupo de Aécio Neves. O dinheiro que financiou a operação veio do Estado de Minas. Mas toda a operação do Jornal Nacional foi desligar Ribeiro Jr. desse jornal e ligá-lo ao PT. A reportagem transformou eventuais oportunistas em verdadeiros motivadores – peça clara de mal jornalismo.
 
O nome de Ribeiro Jr. já circulava há algum tempo na Rede, como se pode ver nessas referências. Ele organiza há tempos um livro sobre os porões das privatizações do governo FHC. Seu interesse em Monica Serra nesse sentido é óbvio (cabe retificar: é óbvio a despeito do que nunca se diz na cobertura sobre quais seriam os interesses de violar o sigilo de uma "simples mãe de família", como diz Serra).
 
E se vamos mal de equilíbrio informativo, duas outras notícias saíram ontem: em primeiro lugar, o Brasil subiu no ranking de países com liberdade de imprensa. O leitor leu bem: Subiu, não desceu, mesmo com as capas da Veja e os editoriais do Estadão (aliás sua existência apenas comprova indiretamente a tal liberdade).
 
Mas outro dado que ficará para a história do esquecimento é o tal aborto de Mônica Serra. O marido da ex-aluna de Mônica, o sociólogo italiano Massimo Canevacci, deu o tom: sua esposa viraria heroína da imprensa se denunciasse um aborto de Dilma (vale ler a entrevista). 
 
Igualmente, se a campanha de Dilma imprimisse um milhão de panfletos difamatórios contra Serra  e supostamente assinados pela CNBB, isso viraria escândalo nacional. Mas como foi a campanha de Serra… o mesmo candidato que "nunca" se envolveu em planos para privatizar a Petrobrás ou declara não transformar seu governo em cabideiro político.

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Um comentário sobre “Entre papéis, omissões e abortos

  1. Meu caro Catatau,

    o jogo rasteiro da tal “grande imprensa” brasileira é mesmo estonteante.

    Acho que a imprensa vai conseguir ficar mais desacreditada que certos políticos.

    Pode ser até que chegue no ponto de: “A imprensa fala assim, então deve ser ao contrário”.

    Chocante mesmo!

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