Bolsa Família, carteira de trabalho e desinformação ou má fé

Meses atrás testemunhamos a surpreendente cena de Miriam Leitão criticando a Senadora Katia Abreu (PFL-TO). Isso mesmo. Leitão reprovava Abreu porque a senadora (que já chegou a declarar que um trabalhador rural deve ter direito a água potável – como assim, isso não é direito básico indiscutível e virou pauta de discussão?) defendia idéias não apenas avessas aos direitos dos trabalhadores, mas também ao capitalismo. Nessa linha, Sakamoto escreveu diversos textos certeiros.
 
Pois a senadora surpreende novamente, passando a idéia de que a Bolsa Família faz o trabalhador não querer carteira assinada ou ser constrangido a não buscá-la:
 
 
 
Vindo de uma senadora, seria isso má fé ou desinformação? Se de um lado acusam a bolsa de assistencialista, de outro utiliza-se o artifício contrário: ela faria as pessoas se recusarem a trabalhar.
 
Tema que o Ministério do Desenvolvimento Social já desmentiu faz tempo:
Com relação à informação, publicada por alguns jornais regionais, de que os beneficiários do Bolsa Família têm se recusado a trabalhar com carteira assinada para não perder o direito ao benefício, o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS) informa que o principal critério para participar do programa é que a família tenha renda mensal de até R$120,00 por integrante. Sendo assim, mesmo que os responsáveis pela família tenham trabalho formal, com carteira assinada, podem receber o benefício, desde que a renda da família não ultrapasse o limite estipulado.

O Ministério esclarece ainda que o Bolsa Família tem sido eficiente para combater o trabalho precário ao qual muitas vezes famílias pobres são submetidas. É o que mostra um estudo feito pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Os números comprovam que 62% das famílias cadastradas no programa têm algum tipo de trabalho – 15% têm emprego formal, 16% têm um trabalho informal, 19% têm um pequeno empreendimento e 12% têm uma atividade sem remuneração.

Entre 2004 e 2006, 792 mil benefícios foram cancelados. Desse total, 463 mil famílias deixaram de receber o Bolsa Família por não se enquadrarem mais nos critérios estabelecidos. Voluntariamente, cerca de 21 mil famílias deixaram o programa por terem melhorado de vida. O Bolsa Família beneficia aproximadamente 11 milhões de famílias em todo o País. 

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5 comentários sobre “Bolsa Família, carteira de trabalho e desinformação ou má fé

  1. Acho que é desinformação, má fé e mais um monte de preconceitos que essa gente cultiva.

    Na verdade, esse pessoal que critica o bolsa família é grande cultivador de preconceitos.

  2. Já tinha lido sobre essa nova “incursão civilizatória” da ilustre senadora. Parece-me que testemunhamos, mais uma vez, o momento em que a tênue linha entre a ideologia, como visão de mundo, toda a patologia. Certa vez testemunhei uma conversa entre um vereador de uma pequena cidade aqui de MG, q também é um médio produtor rural de leite e forragem, e um funcionário de cartório. Ambos manifestavam preocupação com a possibilidade de que uma família beneficiada pelo programa “não quisesse mais trabalhar”. Segundo o fazendeiro-vereador, “a vontade de trabalhar tem de ser ensinada”. Segundo dizia ele, as necessidades dos trabalhadores rurais são tão pequenas que podem ser atendidas com “qualquer 35 merréis”. O sujeito não precisa de mais. Ou seja – não se trata mais de ideologia como visão de mundo (e tenho de lembrar que o sujeito não precisa ser um Olavo de Carvalho para enxergar o mundo através das lentes da ideologia, preciso?..), mas de uma idéia distorcida de como a humanidade deve ser formada para que se instaure um processo civilizatório, representado pela “vontade de trabalhar”. Não é muito diferente, ao fim e ao cabo, da manifestação da estudante de Direito (???) Mayara Petruci, quando chamou o programa de “bolsa 171”.
    Catatau, aguardo ansioso seus comentários sobre a “batalha do Rio de Janeiro”.

    RE: Olá meu caro!
    Obrigado pelo comentário. Certamente ainda tem muita coisa estranha e caricatural Brasil afora, dentro desses exemplos contados por você.
    Sobre a batalha do Rio, até pensei em escrever algo, mas tanta gente escreveu tanto que, junto com o espetáculo da TV, ainda vai demorar para digerir o que ocorreu. Certamente é de agora em diante que veremos o que está em jogo lá, depois do espetáculo policial…
    Abraço,

  3. afinal de contas o beneficiário do bolsa familia pode ou não trabalhar de carteira assinada sem prejuizo do benefício e onde posso encontrar o respaldo legal.

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