Duas sobre Wikileaks

 

1) Como todos sabem, o Wikileaks revelou notícias bombásticas sobre política internacional. Julian Assange, criador do site, sofreu diversos constrangimentos burocráticos e até armações de escândalos. Norte-americanos de direita chegaram mesmo a defender publicamente seu assassinato.
 
Se dentro do suposto país com maior liberdade de expressão do mundo a voz de alguém pode levá-lo à morte, isso significa uma coisa: o Wikileaks incomodou de verdade.
 
Tanto que todos esperam ansiosamente até revelações sobre o Brasil. Conforme Assange, divulgá-las anteriormente atrapalharia o processo eleitoral. Um mistério e tanto.
 
Mas tudo isso é muito curioso, caso confrontemos o site gringo com nossos próprios afazeres.  Em termos investigativos, um exemplo não muito distante de um Wikileaks é o Diários Secretos, site organizado pela Gazeta do Povo (PR) no qual qualquer indivíduo pode acessar verdadeiros desmandos da Assembléia Legislativa do Paraná.
 
A RPC, vinculadora da Gazeta do Povo, ganhou o prêmio Esso 2010 pela cobertura. E em acontecimentos incríveis, dignos das narrativas mais inusitadas da literatura brasileira, a mesa diretora da Assembléia, que assinava os diários secretos, aprovou constrangedoramente uma menção de aplauso ao prêmio recebido pela RPC!
 
A assembléia "aplaudiu" e a mesa diretora continua lá.
 
O que faz lembrar casos como o de Chico Mendes. Depois de sofrer diversas ameaças de morte, Chico Mendes buscou as autoridades e os jornais. Não foi realmente levado a sério, até finalmente o matarem. Depois do assassínio, Mendes recebeu reconhecimento internacional por seu ativismo. Aí sim, brasileiros lembram dele até hoje.
 
2) Enquanto o texto "1" fermentava na caixa de rascunhos do Catatau, aconteceu muita coisa em apenas uma semana. Julian Assange foi novamente acusado de "estupro" na Suécia, figuras públicas reiteraram que ele deve ser morto e o Wikileaks saiu do ar

 

Conforme Assange, há meses o site sofria ataques de hackers "não identificados", isto é, de governos afetados pelas denúncias. Mas dias atrás o próprio alocador do site, a Amazon, retirou-o do ar.

Depois disso um curioso movimento começou: a proliferação de inúmeros sites mirrors do Wikileaks. Vale conferir, acessar e, sobretudo, continuar multiplicando.

Como vale também ler essa entrevista, na qual Assange fala sobre o site, seu papel político e a importância do anonimato e neutralidade da Rede.

***

E… enquanto esse post terminava, o Idelber publicou o último informe do wikileaks.

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