Fuga de cérebros

A Economist publicou um artigo sobre fuga de cérebros na Itália: muitos pesquisadores e profissionais qualificados deixam o país por ausência de oportunidades. E mais: diferente de outros países desenvolvidos, saem mais profissionais especializados do país do que entram.

ALESSANDRO WANDAEL é um fotógrafo. Sua profissão é daquelas em que o sucesso deve depender de talento. Mas não é assim em sua Itália natal. Os créditos de fotos em revistas mostram que os fotógrafos que possuem familiares ou outros laços estreitos com os editores estão trabalhando regularmente, diz ele. "Quem não possui, não está."

Quais seriam os motivos dessa fuga de cérebros? Um deles, diz o artigo, é o baixo investimento nesses profissionais. O outro motivo já consta na citação acima, como se vê também mais abaixo:
"o mais importante e difícil problema da academia na Itália", foi seu "sistema não transparente de recrutamento".
Seria essa situação diferente de outros longínquos países? As vitórias de Lula e Dilma certamente contiveram a ameaça real, ou mesmo a onda efetiva, da fuga de cérebros (pelo menos para quem tinha dinheiro para isso, visto que o escândalo dos doutores é o irmão siamês da fuga de cérebros).
 
Uma entrevista com Miguel Nicolelis publicada também hoje (via @marcospiros), mostra um caminho ainda longo:

Qual é o futuro dos jovens pesquisadores no País?

Atualmente, eles têm uma dificuldade tremenda para conseguir dinheiro, porque não são pesquisadores 1A do CNPq. Você precisa ser um cardeal da academia para conseguir dinheiro e sobressair. Cheguei à conclusão de que Albert Einstein não seria pesquisador 1A do CNPq, porque não preenche todos os pré-requisitos – número de orientandos de mestrado, de doutorado… Se Einstein não poderia estar no topo, há algo errado. Até agora, ninguém teve coragem de enfrentar o establishment da ciência brasileira. Minhas críticas não são pessoais. Quero que o Brasil seja uma potência científica para o bem da humanidade. As pessoas precisam ver que a juventude científica está de mãos atadas. Devemos libertar esse povo. (…)

 

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3 comentários em “Fuga de cérebros

  1. os laboratórios de pesquisa no Brasil são ilhas que competem com seus vizinhos pelos poucos recursos das poucas agências. A academia brasileira é o local em que mais se privilegia a competição ao invés da cooperação: professores de uma mesma instituição não exitam em passar a perna nos colegas em busca dos concorridos editais.

    Mas me parece que, se a academia está ruim, o mercado de profissionais liberais está pior. O efeito é inverso: ao invés de haver fuga de cérebros, há entrada. Apesar da enorme quantidade de engenheiros formados por ano no país, todos os dias a grande mídia alimenta o mito da “falta de engenheiros” (ao mesmo tempo em que profissionais europeus são trazidos para trabalhar em grandes empresas nacionais, como aconteceu nos anos do “milagre econônico”, com o resultado que conhecemos). Curiosamente, entre arquitetos de “luxo”, já há escritórios formados predominantemente por profissionais europeus que veem no país oportunidades de trabalho que não existem na Europa.

    Em princípio, tratar-se-ia de um problema de formação… nossos técnicos não conhecem nossa realidade ou nosso mercado não trabalha com ela?

    RE: Boa pergunta, embora de repente o problema da formação implicaria também o do interesse “público” na formação (pois na teoria ela serve a propósitos públicos mas na prática serve para quem se virar). Não mostraria isso a vinda dos gringos para cá? Algo como “peixe grande chama peixe grande e os outros que se virem”?

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