Seja um Professor

Na TV nacional circula, desde algum tempo, a propaganda acima. Seu enredo: pergunta-se a pessoas de países desenvolvidos dos últimos 30 anos sobre qual é o profissional mais responsável pelo desenvolvimento. A resposta unânime é: o professor.

É o chamariz: para construir um "Brasil mais justo, com oportunidade para todos", "seja um Professor". O fim da propaganda aponta ao site do MEC, para maiores informações.

Qual é a leitura imediata, trivial, de uma propaganda dessas? O Brasil sofre carências na educação, mas está incentivando a contratação de professores. Tanto que criou uma campanha para isso. Alguém que pretende ser professor certamente encontrará incentivos e até mesmo atalhos no site do MEC, para enfim se tornar um.

Chegando ao site do MEC, ele nos conduz a essa página: Seja um Professor.

Se você é um professor interessado em dar aulas, ou mesmo alguém interessado em ser um professor, os milhões gastos em propaganda levam a uma página que ensina: no Brasil os professores geralmente dão aula em uma ou mais escolas, para ser professor é necessário fazer um curso e depois geralmente um concurso e cada cidade possui um site onde se pode encontrar informações. E… o que mais?

Deve haver uma função no site além do pagamento às agências de publicidade e considerações como a abaixo:

A maioria dos professores trabalha em apenas uma escola, de localização urbana, e é responsável por uma turma com 35 alunos em média (sic!)

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4 comentários sobre “Seja um Professor

  1. Entendi o sentido da crítica.
    De fato, o site não apresenta política concreta nenhuma, é propaganda falando sobre a profissão.
    Estou estudando alguns textos que debatem a relação entre educação e trabalho na década de 1980. Diferentemente de hoje, o discurso era outro. Havia um pensamento de que os trabalhadores estavam se qualificando demais, e que a escola não serviria para a ampliação do capital. A hipótese que estou tentando desenvolver vai na contramão disto. Estou tentando relacionar as medidas do estado de bem estar social como uma das melhores formas encontradas pelo capital para se perpetuar e continuar se ampliando e ver como este fenômeno tem ocorrido no Brasil, tardiamente. Isso em base ao Plano Nacional de Educação 2011-2020, esta sim, uma política do governo.
    Seu post me trouxe um outro alerta. Valeu!

    RE: Oi Alisson!
    Não sei se esse caso da propaganda reflete a política do governo contraposta a governos anteriores ao de Lula. Há bastante diferença e, comparado com os outros, mudou para melhor.
    Mas essa propaganda ficou muito estranha, dado os milhões gastos com publicidade não servirem para nada.
    Sei lá, deve haver algo naquele site além de dizer que “os professores dão aula”. Mas se há, procurei bem e não achei.

  2. Continuo achando no meu tosco raciocínio materialista que a melhor coisa para fazer com que os professores sejam valorizados numa sociedade capitalista como a nossa é simplesmente dar-lhes salários compatíveis com a importância que eles devem ter. Mas os marquetólogos devem saber muito mais coisa que eu…

    RE: Aí teu comentário ficou mais ácido do que você talvez pretendeu: pura verdade, no Brasil os professores possuem exatamente a importância que, segundo o Brasil, eles devem ter. Sem mais nem menos!

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