Novo Paraná: o essencial não essencial

O governador do Paraná, Beto Richa (PSDB), comentou hoje (na BandNews, arquivo mp3) sobre a privatização de serviços de informática. Chamando a atenção para o modelo já empregado na prestação de serviços do ICI (Instituto Curitiba de Informática) à prefeitura de Curitiba (sem licitação, aliás), ele declarou:

através da informatização dos serviços nós também temos uma economia dos recursos públicos e os serviços com mais qualidade. Por exemplo na área de saúde, onde um usuário do sistema de saúde tem seu prontuário todo informatizado. Ele pode ir a qualquer lugar da cidade, apresenta seu cartão, e sai todo seu prontuário médico (…) o importante é o resultado do serviço e o quanto custa para os cofres públicos

Trata-se da CELEPAR, empresa na qual Richa nomeou seu próprio irmão ao Conselho de Administração. A entrevistadora retruca e ele responde:

– Ou seja, se houver um estudo indicando a privatização de algum serviço, tudo bem?

– Não tenho dificuldade. Esse não é um serviço essencial à população e que o governo deva estar ali controlando 100%

Moral da história: serviços de informática precisam ser privatizados porque – segundo Richa – a despeito de haver funcionários públicos já pagos para criar sistemas, a informatização gera "uma economia dos recursos públicos e os serviços com mais qualidade". E ao mesmo tempo, informática "não é um serviço essencial à população e que o governo deva estar ali controlando 100%", por isso os serviços devem ser privatizados.

Ok, mas e daí? Um político não fala coisas precipitadas? Curioso é o tema da precipitação, os dois motivos contrários que geram o paradoxo. Se um negou o outro, qual vale? Em política, algo sempre vale. Então ou os dois motivos valem, ou não vale nenhum. E se nenhum vale, o que vale então? Vale repetir: em política, algo sempre vale. 😉

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4 comentários em “Novo Paraná: o essencial não essencial

  1. RSRSRS. E o pior que é sério.
    A precipitação só anuncia o que já deve estar pronto, ou seja, o processo de privatização do Paraná começou quando ele assumiu o governo.
    Além de que o que vale é a contradição, só pra dar um suspense, “a la Romário”, o bom moço olha prum lado e chuta pro outro.
    Não podemos perder as esperanças, devemos visualizar e estimular um cenário de lutas, é o que penso.
    Abraço

  2. O único integrante do governo Lerner que não apareceu no governo Richa é o próprio Lerner.
    O resto está todo aí, e não precisa ser nenhum Einstein pra perceber que o estilo privatista vai voltar com toda a força.
    Nas posses de diretoria de todas as estatais o que mais se viu, além de inúmeros assessores para se acomodar, eram os tradicionais fornecedores da prefeitura. Prefeitura aliás amplamente reconhecida por suas licitações mal-cheirosas.
    Pobre Paraná….

  3. O único integrante do governo Lerner que não apareceu no governo Richa é o próprio Lerner.
    O resto está todo aí, e não precisa ser nenhum Einstein pra perceber que o estilo privatista vai voltar com toda a força.
    Nas posses de diretoria de todas as estatais o que mais se viu, além de inúmeros assessores para se acomodar, eram os tradicionais fornecedores da prefeitura. Prefeitura aliás amplamente reconhecida por suas licitações mal-cheirosas.
    Pobre Paraná….

  4. Claro que havia licitação no ICI,só que funciona de uma forma diferente, ganha o empresario que pagar a maior caixinha para o “café”. A vantagem, é que sempre tem mais de um ganhador, normalmenta muitos.Imagine agora em um orgão estadual que maravilha que não vai ser (Contratos mais pomposos o café fica mais caro….)

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